• Em 2022, o Brasil registrou o maior número de estupros da história, com 74.930 casos, dos quais mais de 60% eram crianças com até 13 anos. Os dados são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública (Human Rights Watch / Reddit);
• Estima-se que o país registra até 822 mil estupros por ano, ou seja, dois por minuto, segundo o IPEA (World Stock Market);
• No primeiro semestre de 2023, o número de casos aumentou 14,9%, com um estupro a cada oito minutos – segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (The Rio Times);
• Em 2023 como um todo, foram registrados 83.988 casos, uma média de um a cada seis minutos, e novamente com predominância de vítimas negras, crianças e adolescentes (The Guardian / Agência Brasil);
• Em 2024, o Ministério da Justiça reportou 78.395 casos, equivalentes a nove por hora, destacando um salto de 103,5% na Paraíba (Folha de S. Paulo);
Quando olhamos para esses números, a pergunta é inevitável: por que isso acontece? Muitas vezes, os agressores são os mesmos; o que muda são as vítimas – mulheres, crianças, jovens ou idosas. E a impunidade segue sendo a regra: alegações como “problema psicológico” ou “drogado no momento” viram atenuantes fáceis, e a cadeia muitas vezes garante conforto e benefícios que superam os da maioria da população.
Enquanto isso, perdemos de vista o que deveria ser concreto: o símbolo nacional “Ordem e Progresso”. Aqui, “ordem” parece existir apenas para vigiar os cidadãos, e “progresso” virou desculpa para retrocessos: projetos de lei como o PL 1904/24, ao invés de proteger vítimas, penalizam quem já foi violada e suavizam a punição aos agressores.
O estupro é uma das formas mais hediondas de violência, violando profundamente a dignidade humana e deixando marcas físicas, psicológicas e sociais. Ainda impõe estigmas, falhar do sistema judicial em acolher e punir, além de fomentar uma cultura que culpa a vítima.
É urgente que os representantes criem políticas reais: apoio consistente às vítimas, capacitação para profissionais, tolerância zero com agressores, empoderamento das vítimas para denunciarem sem medo. Precisamos que o Estado proteja quem deveria ser protegido – não quem comete abuso.
Convido os movimentos e grupos feministas a elevarem sua voz, cobrando respeito, dignidade e leis que saiam do papel. O Brasil tem leis, mas faltam instrumentos e vontade política para fazê-las valer. Sem isso, continuaremos a repetir: o que muda são as manchetes — mas as vítimas permanecem as mesmas.
Adriano Lourenço
