O avanço foi impulsionado, principalmente, pelo aumento do consumo residencial, que cresceu 8,7% no Brasil

O consumo de energia elétrica no Brasil cresceu 3,8% em abril de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano passado, alcançando 49.591 gigawatts-hora (GWh), segundo dados divulgados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). O resultado interrompe a sequência de queda observada nos dois meses anteriores e foi acompanhado por aumento do consumo em todas as regiões do País.

Entre os destaques regionais, o Nordeste registrou a segunda maior expansão do consumo, com alta de 4,9%, ficando atrás apenas da Região Norte, que avançou 7,6%. O Sudeste apresentou crescimento de 3,3%, enquanto Sul e Centro-Oeste registraram aumentos de 2,9% e 1,6%, respectivamente.

Consumo residencial lidera crescimento – A classe residencial foi a principal responsável pela alta registrada em abril. O consumo das famílias alcançou 16.153 GWh, crescimento de 8,7% em relação ao mesmo período de 2025, o maior avanço observado desde junho de 2024.

Segundo a EPE, temperaturas mais elevadas em diversas regiões do País e a ocorrência de ondas de calor podem ter contribuído para o aumento da utilização de aparelhos de climatização, como ventiladores e ar-condicionado. A empresa também destaca que diferenças nos ciclos de faturamento de algumas distribuidoras podem ter influenciado parcialmente o resultado observado no período.

Comércio atinge recorde histórico – O consumo de energia pelo setor comercial cresceu 5,6% em abril, atingindo 9.584 GWh, o maior volume mensal da série histórica da EPE, iniciada em 2004. De acordo com a empresa, o resultado reflete o desempenho da atividade econômica, além da influência das temperaturas mais elevadas e da manutenção da bandeira tarifária verde, que não acrescenta cobranças extras à conta de luz.

Indústria também amplia demanda – O setor industrial registrou crescimento mais moderado, de 1,4%, totalizando 16.905 GWh consumidos no mês. Dos 37 segmentos industriais monitorados pela Empresa de Pesquisa Energética, 22 apresentaram aumento na demanda por eletricidade. Entre os destaques estão os setores de extração de minerais metálicos, com crescimento de 7,4%, e fabricação de produtos alimentícios, que avançou 4,6%.

Também registraram expansão os segmentos de produtos de borracha e plástico, automóveis, produtos têxteis, minerais não metálicos, produtos de metal e produtos químicos. Na direção oposta, houve redução do consumo nos setores de metalurgia e papel e celulose.

Mercado livre amplia participação – O levantamento mostra ainda o avanço do mercado livre de energia, que respondeu por 44,9% de todo o consumo nacional em abril. Nesse ambiente de contratação, o consumo atingiu 22.261 GWh, crescimento de 4,5% na comparação anual. O número de consumidores atendidos pelo segmento aumentou 22,5% no período.

Já o mercado regulado, abastecido pelas distribuidoras, respondeu por 55,1% do consumo nacional, somando 27.331 GWh e registrando alta de 3,1%. Segundo a EPE, desde a abertura do mercado livre para todos os consumidores do Grupo A, em janeiro de 2024, mais de 47 mil unidades consumidoras migraram para esse modelo. Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) indicam que outras 10 mil migrações estão previstas ao longo de 2026.

Paraíba Business, com InfoMoney