Eu vinha um dia desses do trabalho quando uma moça perdeu o controle da motocicleta e em vez de parar antes de entrar na via principal, passou direto e entrou na minha frente. Eu vi claramente que ela fez menção de parar e olhar, como se deve, mas algo aconteceu que a fez acelerar e “voar” na minha frente. Sorte (nunca é sorte, é sempre Deus) não batemos, ela triscou em mim com os olhos arregalados e quando viu que não houve a colisão, sorriu.
Nesse instante me bateu uma… Compaixão. Pensei: “Deve ser novata na pilotagem, ou tirou a habilitação agora, ou comprou a moto agora”. Saí dali imaginando meu filho no lugar daquela moça, pois ele também está tirando a sua primeira habilitação.
Nem sempre eu tenho paciência no trânsito com os mais lentos, os menos ágeis, ou os mais imprudentes, até que porque qualquer erro pode causar sérios danos ou a morte de alguém. De fato: tem que se levar o trânsito muito a sério. Mas o que raramente fazemos (e me incluo) é “calçar o sapato do outro”. Eu já dirigi com dores terríveis com pressa de chegar em casa em busca de remédio; também já dirigi triste depois de uma notícia trágica ou do velório de um amigo.
Já dirigi irritadíssima com alguma injustiça que sofri; e já fui iniciante também. Convenhamos que sem falsa modéstia tem gente como eu que “tem o dom”, pois não há nada em terra que eu não dirija, e bem. Mas mesmo assim, se não fosse eu, aquela menina que quase bateu em em mim poderia ser meu filho fazendo barbeiragens em seus primeiros dias de motorista.
A gente só sente a dor quando o sapato aperta. Agorinha mesmo um amigo me pediu ajuda para conseguir doadores de sangue para alguém dele fazer uma cirurgia, e será difícil encontrar, pois as pessoas não têm o costume de doar, talvez porque nunca tiveram necessidade de sangue para si ou para alguém seu. No dia que tiverem necessidade (Deus os livre) saberão a falta que faz um doador. E assim são outras coisas na vida. O olhar muda, os sentimentos mudam, as atitudes mudam, quando calçamos o sapato do outro.
A expressão “calçar os sapatos do outro” (ou put yourself in someone’s shoes) é uma metáfora universal para empatia. Significa tentar compreender a perspectiva, as dificuldades e os sentimentos de outra pessoa antes de julgá-la, reconhecendo que cada um tem sua própria história e desafios.
Excelente semana! Forte abraço.
Diana Flávia

