
10 setores que mais empregam concentram mais de 48,9 milhões de trabalhadores assalariados. Foto: Paulo Pinto
Seis dos 10 setores que mais empregam no Brasil oferecem salários abaixo da média nacional, segundo o relatório de Estatísticas do Cadastro Central de Empresas (CEMPRE) divulgado ontem (24) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento utilizou dados de 2024 e analisou 20 atividades econômicas, mostrando que os 10 setores que mais empregam concentram mais de 48,9 milhões de trabalhadores assalariados, representando mais de 90% do total do País.
Salários abaixo da média nacional – Entre os setores com maior número de empregados, destaca-se o comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas. Esse segmento reúne quase 10 milhões de trabalhadores, cerca de 18,2% do total, mas paga um salário médio mensal de R$ 2.797,83, o quarto menor entre os setores analisados. Outro segmento relevante é o de atividades administrativas e serviços complementares, que concentra mais de 5,7 milhões de assalariados (10,6% do total) e remunera em média R$ 2.392,97 por mês, valor superior apenas ao setor de alojamento e alimentação, que paga R$ 2.080,17.
Na contramão dos setores que mais empregam, segmentos com menor concentração de trabalhadores apresentam os maiores salários médios. O setor de organismos internacionais e outras instituições extraterritoriais tem cerca de 0,1% dos assalariados e remunera em média R$ 9.678,61 por mês. O segmento de eletricidade e gás concentra 0,25% dos trabalhadores e paga R$ 8.539,07 em média, seguido pelo setor financeiro, de seguros e serviços relacionados, com 1,3 milhão de trabalhadores e salário médio de R$ 8.430,55.
Crescimento das empresas e disparidades salariais – O levantamento do IBGE também apontou que o Brasil contou com cerca de 10,6 milhões de empresas e outras organizações formais ativas em 2024, um aumento de 5,8% em relação ao ano anterior. Dessas, 93% são pequenas empresas, com até nove funcionários, e foram responsáveis por grande parte do crescimento, registrando alta de 6,1%.
Essas organizações empregaram aproximadamente 68 milhões de pessoas, sendo 54 milhões de trabalhadores assalariados. O estudo revelou ainda que a formação superior influencia diretamente a remuneração, com trabalhadores com diploma universitário recebendo em média R$ 7.776,59, cerca de R$ 5 mil a mais do que os que possuem apenas o ensino médio, com salário médio de R$ 2.742,41. Na análise por gênero, homens ganham 16,6% mais do que mulheres, com remuneração média de R$ 4.206 contra R$ 3.608,04.
Distribuição regional dos salários – As disparidades salariais por região também são evidentes. O Distrito Federal apresentou o maior salário médio mensal em 2024, com R$ 6.845,13, seguido pelo Rio de Janeiro, com R$ 4.501,35, e São Paulo, com R$ 4.423,04. O levantamento permite observar as diferenças econômicas e estruturais entre as regiões brasileiras e sua influência nas remunerações médias dos trabalhadores. Esses dados reforçam a importância da análise setorial para entender os desafios e dinâmicas do mercado de trabalho brasileiro em 2024.
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