Hoje eu tinha um compromisso importante mas não conseguir ir, pois meu bairro teve diversos alagamentos por causa das fortes chuvas. Isso acontece vez ou outra, é desconfortável. Pior é arriscar sair e ficar presa nas águas ou ser levada por elas. Ontem por um momento ficamos sem energia, um raio caiu e desligou as luzes. Sorte nossa que eu tinha velas!

Mas hoje, pela manhã, ao informar pelo Whatsapp que não conseguiria ir, ninguém, absolutamente ninguém, disse: “Vou te buscar”. Saliento que falo de um grupo específico. Por que será? Talvez pelo esteriótipo de ser uma mulher forte, as pessoas pensem “Ela dá um jeito”. Ou será que é por que não sou necessária? Ou será que o comodismo falou mais alto do que o altruísmo: “Eu até queria ir buscá-la mas é tão longe”? Não quero nem especular para não me magoar ainda mais.

Isso me fez pensar e relembrar do contato de emergência e de algumas perguntas que há um tempo coloquei em um dos meus textos. Relembre comigo: Se você não tivesse mais onde morar, quem te acolheria? Se você se perdesse em algum lugar de madrugada, quem iria te buscar? Se você precisasse de alguém para desabafar, em quem você confiaria? Se você não tivesse o que comer, quem dividiria o pão contigo? Quem são seus contatos de emergência?

É fácil ser amigo nas redes sociais ou nos encontros mensais, é fácil ser amigo nominalmente falando “Eu sou amigo de fulano faz 20 anos”. Mas nesses 20 anos quantas vezes vocês tomaram café na varanda de casa, ou foram buscar o carro do outro na oficina, ou foram visitar no hospital? Às vezes aqueles que chamamos de amigos merecem apenas a alcunha de colega.

Fomos (eu e meu marido) a uma cidade próxima e liguei para uma pessoa (o conheço a muito tempo e trabalhamos juntos por dois anos em algo bem difícil) perguntando: “Tem café aí?”, era um dia de chuva fina e frio… ele respondeu: “Não, estamos gripados”.

Em resumo, passe direto, não venha na minha casa. Alguns podem até defender esse cidadão argumentando que ele estava doente. Mas a resposta dele deixou claro, não somos amigos (e pelo visto, nem colegas). Talvez eu só fosse parte da vida dele enquanto era parte do “Projeto”, da “Causa”, do “Mandato”… em fim, entendi ali, eu só valia enquanto era utilizável.

Amigo age diferente, deixa eu dar um exemplo: tenho uma amiga grávida, a gravidez é de risco, ela me disse que a maior dificuldade é lavar o banheiro, pois ela não deve se abaixar e pegar peso. Eu vou lavar o banheiro dela! Para que serve uma amiga que na hora da precisão não vai lavar seu banheiro? Ora bolas! Amigo é aquele que está com você no bom e no ruim. Hoje, eu irei orar com mais intensidade pela minha agenda de telefones e pedir a Deus que eu seja uma amiga melhor, pois a falta que eu senti hoje, seja a falta que eu faça na vida destes.

Provérbios 17:17 diz:
“O amigo ama em todos os momentos; é um irmão na adversidade” (ou “na angústia se nasce o irmão”). 

Forte abraço!

Diana Flávia