Perder uma Copa do Mundo não pode constituir-se em fato traumático para a Nação Brasileira. 2030 não está muito longe, e podemos uma vez mais tentar conquistar o hexacampeonato, através de efetiva renovação dos valores e talentos do futebol brasileiro. E esses são inúmeros.
A Copa do Mundo que o Brasil precisa realmente ganhar, para a felicidade da maioria do povo brasileiro, possui uma multifacetada e desafiadora dimensão, e é inadiável:
• Eliminar completamente as disparidades regionais e imensas desigualdades sociais;
• Garantir a manutenção e continuidade de tudo que está sendo positivo, e que representa conquistas produzidas pela estrutura do Poder Executivo Nacional;
• Assegurar saúde, educação, moradia, lazer e segurança – gratuita, publica e de qualidade – plenamente, para os mais de 210 milhões de habitantes deste país gigante, de dimensão continental;
• Eliminar, de uma vez por todas, o latifúndio improdutivo do território nacional;
• Dotar as etnias indígenas e negras de todas as condições materiais, intelectuais, políticas, técnicas, científicas, favorecedoras de suas reais e evolutivas emancipações, libertações, protagonismos, para que possam, mais de 500 anos após a invasão, ocupação e expansão de Portugal em nosso território, finalmente poderem exercer a hegemonia política e administrativa do Brasil. A união dos indígenas com a população negra do nosso país pode forjar um novo redimensionamento do processo civilizatório nacional, conferindo potência inovadora, identitária, à Nação Brasileira. Inclusive, também no cenário mundial. As dívidas históricas, políticas, sociais, econômicas, culturais, somente serão equacionadas para tais etnias quando as mesmas assumirem o comando deste imenso País;
• A Copa do Mundo que o Brasil precisa vencer é o fim absoluto da pobreza, miséria e abrangentes violências que continuam atormentando e matando, principalmente os membros das camadas populares, dentro das macrorregiões deste contrastante país, com a real indiferença das classes dominantes;
• É imprescindível ainda que as instituições integrantes do Estado Brasileiro ampliem a defesa, proteção e preservação forte, ampla, permanente, da soberania nacional, da democracia, e das riquezas naturais existentes em todo o território nacional. Essassão outras prioridades, sem as quais não haverá evolução econômica, política e social verdadeira para as presentes e futuras gerações;
• O Brasil precisa vencer as taxas de juros altas, que sufocam, acima de tudo, os pobres, assalariados. Bem como, extinguir o conglomerado ou avalanche de impostos que liquidam com o poder de compra de todos que ganham entre 1 a 3 salários mínimos, principalmente. Os preços não podem nem devem continuar subindo pelos elevadores, enquanto os salários, aos trancos e barrancos, sobem pelas escadas. O fim dessas imorais e inaceitáveis disparidades precisam ser contidas, com o desenvolvimento de reformas estruturais profundas e amplas da vida nacional, ancoradas, de preferência, na democracia participativa, que precisa avançar;
• Precisamos edificar uma sociedade mais justa, igualitária, onde a renda e riqueza nacional possa, potencialmente, ser socializada. E não é através de duvidosas, assistemáticas, descriteriosas, manutenções de emendas parlamentares, que isso vai acontecer;
• Que seja, realmente, assegurado e materializado pelo Estado a evolução do patrimônio técnico, cultural, político e científico do povo brasileiro, de forma inarredável, fecunda, democrática e, paralelamente, o fortalecimento dos movimentos sociais e partidos políticos comprometidos efetivamente com os interesses e aspirações dos trabalhadores(as) do Brasil;
• Descentralização e maiores investimentos dos recursos da União para contemplar, realmente, todos os municípios brasileiros.
Joguemos com garra, lucidez e, de maneira inadiável, coletivamente, contra: a deseducação programada e excludente de milhões de brasileiros; a intolerância política e os discursos de ódio, dentro e fora das redes sociais; o racismo, xenofobia, homofobia, pedofilia, feminicídios, impunidades dos torturadores da Ditadura Militar (1964-1985); a negação da ciência e todas as formas de preconceito e discriminação; a corrupção e criminalidade; a herança maldita do período colonial, que ainda hoje habita e perpassa milhões de mentes e corações na sociedade brasileira.
Joguemos firmes, determinados e sem medo, pela extinção gradativa e irresoluta de todas as formas de subdesenvolvimento e dependências econômicas, financeiras, científicas e tecnológicas, que solapam o tecido social desta nação. Joguemos com entusiasmo, coletivamente, também:pelo fim de uma das estratificações sociais mais perversas, inflexíveis e danosas que existe neste planeta, como a qual temos vivenciado historicamente.
Firmemente, de modo coletivo ainda, construamos um plano nacional de desenvolvimento, com justiça social para as próximas décadas. Inclusive, levando potencialmente em consideração o que pensam, escrevem e fazem os principais pesquisadores, educadores, economistas, juristas, sociólogos, antropólogos, cientistas sociais deste país, principalmente integrantes da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).
O Brasil tem jeito! Está fadado a converter-se em uma das potências mundiais. Não percamos a esperança. Lutemos por tais propósitos.
Abraço fraterno para os leitores(as) deste modesto texto.
Giovanny de Sousa Lima

