Apesar da pressão sobre os preços, consumo segue em alta. Em João Pessoa, cesta básica acumula alta de 15,44%

O Nordeste foi a região brasileira onde o custo da cesta de supermercados mais aumentou no primeiro semestre de 2026. Levantamento da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) mostra que o AbrasMercado — indicador que acompanha os preços de 35 produtos de largo consumo — acumulou alta de 8,06% entre janeiro e junho, acima da média nacional, de 6,52%.

Mesmo com o maior avanço percentual, o Nordeste continua registrando a cesta de menor custo do país, com valor médio de R$ 773,03 em junho. O comportamento dos preços ocorre em um cenário de consumo ainda aquecido. Segundo a ABRAS, o indicador de Consumo nos Lares Brasileiros cresceu 2,49% no primeiro semestre, impulsionado pela manutenção da renda das famílias, pelo mercado de trabalho e pela circulação de recursos como restituições do Imposto de Renda, antecipação do 13º salário de aposentados e benefícios sociais.

Pressão veio dos alimentos básicos — A inflação dos alimentos continuou concentrada em produtos essenciais da mesa do brasileiro. No acumulado do semestre, as maiores altas foram registradas no tomate (82,41%), batata (82,12%), cebola (53,33%), feijão (52,82%) e leite longa vida (22,09%). Em contrapartida, alguns produtos apresentaram redução de preços, como café torrado e moído (-11,49%), açúcar refinado (-10,78%), óleo de soja (-9,24%) e arroz (-0,52%).

João Pessoa acompanha alta — Na Paraíba, os indicadores reforçam o cenário de encarecimento da alimentação. Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostra que a cesta básica em João Pessoa custou R$ 689,95 em junho. Apesar da queda de 3,97% em relação a maio, o conjunto de alimentos acumula alta de 15,44% em 2026 e avanço de 8,46% nos últimos 12 meses, evidenciando que o peso da alimentação continua pressionando o orçamento das famílias.

Ao mesmo tempo, o consumo segue sustentado pela renda e pelo mercado de trabalho. Dados mais recentes da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o varejo brasileiro acumula crescimento de 1,7% no ano até maio, embora o segmento de hipermercados e supermercados tenha registrado recuo de 1,5% naquele mês, indicando maior cautela do consumidor diante dos preços mais elevados.

Compras mais planejadas — Na avaliação da ABRAS, o consumidor brasileiro não deixou de comprar, mas passou a adotar uma postura mais seletiva. Segundo a entidade, as famílias intensificaram a comparação de preços, aproveitaram promoções e reorganizaram a composição da cesta para equilibrar o orçamento diante da alta dos alimentos. Ainda assim, fatores como emprego, renda e programas de transferência de recursos impediram uma desaceleração mais intensa do consumo.

Copa impulsionou categorias específicas — Outro fator que influenciou o desempenho do varejo alimentar em junho foi a Copa do Mundo. A competição estimulou principalmente as vendas de carnes, cervejas, refrigerantes, embutidos, chocolates e salgadinhos, produtos associados ao consumo dentro de casa durante os jogos. Segundo a ABRAS, diferentemente do Mundial de 2022, o consumo desta edição concentrou-se mais em alimentos destinados ao preparo de refeições completas do que apenas em bebidas e petiscos.

Paraíba Business