O primeiro debate entre os candidatos ao Governo da Paraíba aconteceu. E, se havia uma expectativa de que os paraibanos finalmente começassem a conhecer com mais clareza aquilo que cada candidato pretende fazer para governar o Estado, essa expectativa, pelo menos em boa parte, ficou pelo caminho. É claro que os apoiadores de cada candidatura tiveram motivos para aplaudir.

Mas eleição não pode ser analisada apenas pelo tamanho da palma. O eleitor que está em casa, principalmente aquele que ainda não decidiu seu voto, queria saber outra coisa: o que cada candidato pretende fazer para melhorar a vida do paraibano? E aí o debate deixou algumas lacunas. Tivemos ataques, respostas, acusações, momentos de tensão e muita retórica.

Lucas Ribeiro, naturalmente, assumiu a defesa do governo que pretende continuar comandando. Trouxe realizações da atual gestão, obras e ações administrativas. E aqui existe uma questão que precisa ser considerada: como atual governador e candidato à reeleição, Lucas não poderia simplesmente fugir do balanço da administração. Mas também precisa responder ao eleitor sobre aquilo que ainda não foi resolvido.

Do outro lado, Cícero Lucena buscou apresentar sua experiência como prefeito de João Pessoa e transportar realizações da administração municipal para uma proposta de governo estadual. Efraim Filho, por sua vez, procurou ocupar o espaço de oposição, principalmente questionando o governo em relação a concursos, servidores e promessas que, segundo seu discurso, não teriam sido cumpridas.

E era previsível que Lucas fosse o principal alvo. Afinal, quem está no governo é quem precisa explicar o governo. Mas existe um limite. Quando o debate se transforma quase exclusivamente em uma disputa para saber quem ataca mais ou quem responde melhor, corre-se o risco de esquecer justamente aquele que deveria ser o personagem principal: o eleitor.

E o eleitor paraibano tem problemas muito mais concretos:

Quer saber sobre emprego.
Quer saber sobre renda.
Quer saber quanto vai pagar de imposto.
Quer saber se vai conseguir colocar comida na mesa.
Quer saber se o filho vai permanecer na escola.
Quer saber se haverá professor suficiente.
Quer saber como o Estado vai melhorar a saúde.
Quer saber quando um hospital vai funcionar plenamente.
Quer saber sobre saneamento básico.
Quer saber sobre segurança pública.

E, principalmente, quer saber se todo esse discurso vai chegar ao seu bolso e à sua qualidade de vida. Na segurança pública, por exemplo, falar em viaturas, armamentos, coletes e equipamentos é importante. Evidentemente é necessário estruturar as forças de segurança. Mas existe uma pergunta que também precisa entrar no debate: E o dinheiro no bolso do policial? Porque estrutura é necessária, mas valorização profissional também é.

E quando falamos em educação, não basta apresentar números de IDEB ou indicadores que mostram avanços. É preciso discutir como fazer o aluno permanecer dentro da sala de aula, como melhorar a aprendizagem, como valorizar professores e como enfrentar a evasão.

E existe ainda uma questão que atravessa praticamente todas as áreas do Estado: os concursos públicos. Não basta anunciar concurso. Não basta comemorar convocação. É preciso saber se o Estado está conseguindo preencher efetivamente as necessidades da população.

E aqui fazemos uma ressalva necessária: o governo já convocou, somente em junho deste ano, 1.829 aprovados para áreas como Educação, Segurança e Saúde, incluindo 162 profissionais para a PB Saúde. Portanto, não se pode afirmar simplesmente que não houve convocações.

A questão que permanece para o debate eleitoral é outra:

Qual será a política de pessoal do próximo governo?
Quantos servidores efetivos serão necessários?
Onde estão os maiores déficits?
Qual será o planejamento para a saúde?
E, principalmente, como o Estado vai conciliar contratação, valorização dos servidores e responsabilidade fiscal?

Essa deveria ser uma discussão mais profunda. Porque o eleitor não quer apenas ouvir que haverá professor em sala de aula. Ele quer saber como, onde, quando e com que recursos. Não quer apenas ouvir que haverá segurança. Quer saber qual será a política de valorização dos policiais. Não quer apenas ouvir que haverá saúde. Quer saber se conseguirá marcar uma consulta, realizar um exame ou encontrar atendimento quando precisar. Não quer apenas ouvir que haverá desenvolvimento. Quer saber onde estão os empregos.

E talvez esse tenha sido um dos maiores pecados do primeiro debate: os candidatos falaram muito sobre o que já fizeram, sobre o que o outro não fez e sobre o que pretendem combater, mas faltou transformar algumas promessas em compromissos claros, objetivos e mensuráveis.

É preciso reconhecer também que este foi apenas o primeiro debate.
É natural que candidatos e equipes ainda estejam ajustando estratégias.
É natural que os ataques apareçam.
É natural que os adversários testem uns aos outros.
E é provável que os próximos encontros sejam diferentes.

Mas fica um recado para os três candidatos: menos rinha política e mais projeto de Estado. A Paraíba não precisa apenas de um candidato que saiba responder ao adversário. Precisa de alguém que saiba responder ao eleitor. E responder ao eleitor significa apresentar propostas para emprego, renda, educação, saúde, segurança, saneamento, infraestrutura, agricultura, desenvolvimento regional e valorização do servidor público.

Significa também explicar quanto cada proposta vai custar, de onde virá o dinheiro e em quanto tempo poderá ser executada. Porque prometer é fácil. Difícil é transformar promessa em política pública. E esta eleição precisa sair da lógica de quem bateu mais, quem respondeu melhor ou quem recebeu mais aplausos.

Aplauso de militante não paga conta.
Não coloca comida na mesa.
Não consegue consulta médica.
Não constrói escola.
Não aumenta salário.
Não gera emprego.

Quem decide a eleição é o eleitor. E é justamente esse eleitor que, depois do primeiro debate, continua esperando uma resposta mais simples e talvez mais importante de todas: afinal, o que cada um deles pretende fazer pela Paraíba e pela vida dos paraibanos? Porque, no fim das contas, não será a quantidade de ataques que vai mudar a vida do Estado. Serão as decisões tomadas por quem ocupar o Palácio da Redenção.

Adriano Lourenço