
Campanha de Multivacinação 2026 vai até 1º de setembro e reforça vacinação contra sarampo. Foto: Reprodução
O Brasil iniciou uma nova mobilização para recuperar e manter as coberturas vacinais de crianças e adolescentes. A Campanha de Multivacinação 2026, do Ministério da Saúde, segue até 1º de setembro, com o Dia D nacional marcado para 22 de agosto, e coloca novamente o sarampo no centro da atenção. A estratégia oferece 20 tipos de imunizantes previstos no Calendário Nacional de Vacinação e busca identificar crianças e adolescentes com doses atrasadas e completar os esquemas de proteção.
A princípio, o Nordeste aparece entre as regiões com melhor desempenho recente, mas ainda não alcança de forma consistente a meta de 95% de cobertura, considerada referência para diversas vacinas. Dessa forma, Estudos de séries históricas mostram que a queda da cobertura da tríplice viral passou a ser mais evidente a partir de 2014, com o Nordeste ficando abaixo do nível recomendado para a segunda dose a partir de 2018.
Por que o sarampo voltou a preocupar? – O alerta não significa que o Brasil tenha perdido novamente o status de país livre da circulação endêmica do sarampo. O País recebeu, em novembro de 2024, a recertificação da eliminação da doença. Mas isso não significa que o risco desapareceu. Em 2025, o Brasil registrou 38 casos confirmados de sarampo, alguns relacionados a viagens internacionais. Em 2026, novos casos também foram identificados, incluindo um surto ativo em São Paulo associado à circulação de pessoas e à possível introdução do vírus por viajantes.
O Ministério da Saúde reforçou a vacinação especialmente em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, onde a recomendação foi ampliada para pessoas de 6 meses a 59 anos durante a campanha. A preocupação é simples: quanto maior a quantidade de pessoas não protegidas, maior a possibilidade de o vírus encontrar espaço para circular.
Nordeste melhorou, mas ainda não pode relaxar – A situação da vacinação no Nordeste precisa ser analisada com duas informações ao mesmo tempo. A primeira é positiva: o Brasil vem apresentando uma recuperação importante das coberturas desde 2023. A segunda é que recuperar não significa ter chegado à situação ideal. O próprio Ministério da Saúde reconhece que as coberturas vinham caindo desde 2016 e que a desinformação sobre vacinas foi um dos obstáculos enfrentados pelo Programa Nacional de Imunizações. A recuperação recente é expressiva.
Segundo estimativas da OMS e do Unicef divulgadas em julho, o número de crianças brasileiras que não receberam sequer a primeira dose da vacina contendo DTP caiu de 360 mil em 2023 para 50 mil em 2025, uma redução de aproximadamente 90%. Isso mostra que campanhas de busca ativa, vacinação nas escolas, ampliação do acesso e comunicação pública conseguem produzir resultados. Mas também mostra que a manutenção da cobertura precisa ser permanente.
A queda começou antes da pandemia – É comum associar a redução da vacinação exclusivamente à pandemia de Covid-19. Ela, de fato, agravou o problema, mas a trajetória começou antes. Assim, estudo da Fiocruz sobre a cobertura da tríplice viral identificou queda a partir de 2014 para as regiões brasileiras, com diferentes intensidades. O Nordeste passou a apresentar cobertura abaixo do esperado para a segunda dose a partir de 2018. O Ministério da Saúde também aponta que o país enfrentou quedas consecutivas nas coberturas desde 2016 e relaciona parte desse processo à propagação de informações falsas sobre segurança e eficácia das vacinas.
Serviço
Campanha de Multivacinação 2026
Período: até 1º de setembro
Dia D nacional: 22 de agosto
Locais: Unidades de vacinação do SUS
Público: crianças e adolescentes menores de 15 anos
Vacinação: conforme idade e histórico registrado na caderneta
Agência NE9
