No cenário nacional, Paraíba ocupa a 19ª posição, mantendo-se distante da média brasileira de R$ 2.316. Foto: iStock

A Paraíba mantém um ritmo de ganho médio superior à média regional, mas ainda enfrenta o peso da desigualdade econômica do país. Com um rendimento domiciliar per capita de R$ 1.543, o estado se posiciona acima da média do Nordeste (R$ 1.533). No cenário nacional, no entanto, a Paraíba ocupa a 19ª posição, mantendo-se distante da média brasileira de R$ 2.316 — um reflexo do desafio diário das famílias paraibanas para equilibrar as contas com orçamentos apertados.

O cinturão do Sul e Sudeste: renda alta e acesso ao crédito – Enquanto o Nordeste luta para elevar sua base salarial, o Sul e o Sudeste concentram os maiores patamares de renda do país, impulsionados pela força da indústria e do agronegócio:

• A Força do Sul: Estados como São Paulo (R$ 2.956), Rio Grande do Sul (R$ 2.839) e Santa Catarina (R$ 2.809) aparecem no topo do ranking do IBGE. No Paraná, o rendimento atinge R$ 2.762, consolidando a região Sul com médias bem acima do patamar nacional.

• Centro-Oeste em Ascensão: Impulsionada pelas commodities e pela expansão agrícola, a região Centro-Oeste também se consolida acima da média, com Mato Grosso e Mato Grosso do Sul sustentando rendimentos superiores a R$ 2.100 por habitante.

Renda alta x corda no pescoço – O cruzamento de dados da PNAD Contínua (IBGE) com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (CNC) mostra, contudo, que ganho elevado não é garantia de equilíbrio financeiro. O maior exemplo dessa conta vem do topo da pirâmide:

• Distrito Federal no Topo: Brasília lidera o país com folga em renda per capita, atingindo R$ 4.538 por habitante, puxada pelo funcionalismo público e o setor de serviços.

• O Paradoxo da Inadimplência: Apesar do faturamento alto, a capital federal enfrenta uma das situações mais críticas do País. Mais de 80% das famílias no DF estão endividadas, e metade delas acumula contas em atraso, impulsionadas pelo custo de vida elevado e fácil acesso ao crédito.

O contraste regional – No polo oposto, o Norte e o Nordeste seguem concentrando os menores índices de rendimento. O Maranhão (R$ 1.219) e o Ceará registram os patamares mais baixos da tabela. Nesse panorama, o fato da Paraíba se destacar no Nordeste demonstra consistência local, mas o balanço nacional deixa claro: enquanto o topo da tabela sofre com o superendividamento de cartões e financiamentos, a base precisa gerir orçamentos enxutos para não cair na inadimplência do essencial.

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