Apostas online ganham espaço no orçamento e passam a impactar consumo e relações de trabalho. Foto: Reprodução

O avanço das apostas online deixou de ser apenas uma questão de comportamento individual e passou a produzir efeitos dentro das empresas e sobre o orçamento das famílias. No Magazine Luiza, o problema chegou à gestão de pessoas: a companhia identificou aumento dos pedidos de empréstimo consignado, seguido por pedidos de demissão e relatos de adoecimento. Em entrevista, a empresária Luiza Trajano resumiu o cenário: “Estávamos perdendo nossos colaboradores para agiotas”.

O problema chegou ao ambiente de trabalho – O Magazine Luiza começou a perceber mudanças em 2022. A empresa, que já mantinha um programa de educação financeira, identificou um aumento significativo na procura por crédito entre funcionários. Depois, outros sinais apareceram, como pedidos de demissão e relatos de adoecimento físico e mental. A partir desse diagnóstico, a companhia criou um programa específico de prevenção aos jogos online. A experiência mostra como as apostas podem ultrapassar o orçamento pessoal e atingir questões relacionadas a crédito, saúde financeira e relações de trabalho.

Nordeste concentra maior presença de apostadores – O fenômeno não está restrito às grandes empresas nacionais. Segundo levantamento da NielsenIQ, 29% dos lares nordestinos participaram de algum tipo de aposta, a maior proporção entre as regiões brasileiras. No país, o percentual foi de 26,3% dos domicílios em 2025. A pesquisa também mostra que as apostas passaram a disputar espaço com outras despesas. Segundo a NielsenIQ, 10% dos lares apostadores substituíram algum gasto para acomodar as apostas no orçamento, enquanto 60% das categorias analisadas registraram redução na quantidade comprada nesses domicílios.

Paraíba já discute impacto sobre o consumo – Na Paraíba, o tema também ganhou espaço no debate econômico e de defesa do consumidor. A Associação de Supermercados da Paraíba (ASPB) publicou análise relacionando o avanço das apostas ao endividamento das famílias e aos reflexos sobre o varejo. O Estado também adotou medidas específicas. Segundo a Assembleia Legislativa da Paraíba, uma lei estadual estabeleceu diretrizes para prevenir o superendividamento de consumidores em plataformas de apostas virtuais e ampliar a conscientização sobre seus impactos.

O conjunto dos dados indica que as bets já fazem parte de uma discussão econômica que envolve renda disponível, endividamento e consumo. O caso do Magazine Luiza expõe o impacto dentro das empresas; no Nordeste, a presença de apostadores é proporcionalmente maior; e, na Paraíba, o assunto já chegou às entidades empresariais e às políticas de proteção ao consumidor.

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