O resultado representa uma redução de 3,5 pontos percentuais  entre 2023 e 2024. Foto: Reprodução / Internet

A Paraíba registrou uma redução de 9,9% no número de domicílios em situação de insegurança alimentar entre 2023 e 2024. O total de residências afetadas caiu de 534 mil para 481 mil, representando 53 mil casas a menos nessa condição. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) 2024.

De acordo com o levantamento, a proporção de domicílios paraibanos com algum grau de insegurança alimentar passou de 36%, em 2023, para 32,4%, em 2024. O resultado representa uma redução de 3,5 pontos percentuais no período. Apesar da melhora, o índice estadual permaneceu acima da média nacional, de 24,2%, mas abaixo da registrada no Nordeste, de 34,8%.

A pesquisa considera diferentes níveis de insegurança alimentar, classificados conforme a gravidade das dificuldades enfrentadas pelas famílias para garantir o acesso regular a alimentos. A metodologia utilizada é a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar, que permite identificar desde a preocupação com a falta de comida até situações em que a fome é efetivamente vivenciada pelos moradores.

Insegurança alimentar grave apresenta maior redução – A queda mais expressiva ocorreu nos domicílios em situação de insegurança alimentar grave. Em 2023, aproximadamente 89 mil residências paraibanas estavam nessa condição. Em 2024, o número caiu para 58 mil, uma redução de 34,8%, equivalente a 31 mil domicílios a menos. A proporção de residências nessa situação também diminuiu, passando de 6% para 3,9% no intervalo de um ano.

O número de pessoas afetadas pela insegurança alimentar grave acompanhou essa tendência. O contingente caiu de 218 mil moradores, em 2023, para 144 mil, em 2024, representando uma redução de aproximadamente 74 mil pessoas. Com isso, a participação desse grupo na população estadual passou de 5,3% para 3,5%. A insegurança alimentar grave é caracterizada pela experiência concreta da fome no domicílio, quando a falta de recursos compromete a quantidade de alimentos disponíveis e pode atingir também as crianças.

Insegurança alimentar moderada atinge 115 mil domicílios – Os dados do IBGE também apontam uma redução no número de residências com insegurança alimentar moderada na Paraíba. Em 2023, eram aproximadamente 127 mil domicílios nessa situação. Em 2024, o número passou para 115 mil, uma diminuição de 12 mil residências.

Nesses domicílios, viviam cerca de 313 mil pessoas em 2024, enquanto no ano anterior eram aproximadamente 376 mil moradores. Esse nível de insegurança alimentar ocorre quando a falta de recursos financeiros provoca a redução da quantidade de alimentos consumidos pelos adultos ou compromete os padrões habituais de alimentação da família.

Mesmo com a diminuição registrada, a Paraíba apresentou uma proporção de 7,8% de domicílios nessa condição, superior à média brasileira, de 4,5%, e à nordestina, de 7,5%. No ranking nacional, o estado ocupou a quinta posição entre as unidades da Federação com maior proporção de domicílios em situação de insegurança alimentar moderada.

Insegurança alimentar leve também registra queda – A insegurança alimentar leve apresentou uma redução de 21,5%, em 2023, para 20,7%, em 2024, considerando a proporção de domicílios paraibanos. O indicador corresponde a aproximadamente 308 mil residências, nas quais viviam cerca de 959 mil pessoas, o equivalente a 23,2% da população do estado. Embora seja o nível menos grave da classificação, essa condição indica que as famílias enfrentam preocupação ou incerteza quanto à disponibilidade futura de alimentos.

Também pode envolver dificuldades para manter uma alimentação adequada em qualidade, mesmo quando ainda não há redução significativa da quantidade consumida. Na comparação com outras regiões, a proporção paraibana ficou acima da média nacional, de 16,4%, mas abaixo da nordestina, de 22,5%. Já entre os estados nordestinos, a Paraíba apresentou o terceiro menor percentual de domicílios nessa condição, atrás apenas do Rio Grande do Norte, com 19,3%, e do Ceará, com 19,8%.

Mais de 1,4 milhão de paraibanos ainda enfrentam restrições alimentares – Apesar da redução dos indicadores, a insegurança alimentar continua atingindo uma parcela significativa da população da Paraíba. Em 2024, cerca de 1,4 milhão de pessoas, o equivalente a 34,3% dos moradores do estado, vivenciavam algum grau de insegurança alimentar ou se preocupavam com a possibilidade de faltar comida por insuficiência de recursos para a compra de alimentos.

Em 2023, aproximadamente 1,5 milhão de paraibanos estavam nessa situação. A diferença representa cerca de 121 mil pessoas a menos em um ano. Os números demonstram que, embora a situação tenha apresentado melhora, o acesso regular à alimentação continua sendo um desafio para milhares de famílias. A insegurança alimentar não se limita aos casos em que há fome, mas também inclui a preocupação constante com a disponibilidade de comida e a necessidade de comprometer a qualidade da alimentação para manter o abastecimento doméstico.

Como a Paraíba se compara ao Brasil e ao Nordeste? – No panorama nacional, a Paraíba apresentou uma proporção de 32,4% de domicílios com algum grau de insegurança alimentar, acima da média brasileira, de 24,2%. Por outro lado, o resultado ficou abaixo da média nordestina, de 34,8%. No ranking das unidades da Federação, o estado ocupou a 11ª posição entre os maiores índices do País.

No Nordeste, registrou o terceiro menor percentual, ficando atrás do Ceará, com 30,5%, e do Rio Grande do Norte, com 29,4%. Quando considerados apenas os casos graves, a Paraíba apresentou um dos melhores resultados da região, com 3,9% dos domicílios nessa condição, índice igual ao do Rio Grande do Norte. O contraste entre os indicadores mostra que, embora o estado tenha avançado na redução dos casos mais graves, ainda enfrenta dificuldades relacionadas à garantia de alimentação adequada para uma parcela expressiva da população.

Sobre a pesquisa – A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua 2024 reúne informações sobre as condições de segurança alimentar nos domicílios brasileiros. Para classificar as situações identificadas, o IBGE utiliza a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA).

O instrumento permite identificar quatro condições: segurança alimentar, insegurança alimentar leve, moderada e grave. A classificação considera a experiência das famílias em relação à disponibilidade de alimentos, à qualidade da alimentação e à quantidade consumida. Os resultados contribuem para dimensionar o problema no País e nos estados, permitindo acompanhar a evolução dos indicadores e subsidiar a formulação de políticas públicas voltadas à alimentação e à proteção social.

JKR Notícias, com Jornal da Paraíba