Diferença de orçamento é um retrato do bolso de quem busca, mas o ritmo de alta do aluguel é outro termômetro

Procurar apartamento pra alugar e esbarrar num preço bem acima do que cabe no bolso deixou de ser exceção e virou regra espalhada pelo país. Levantamento da DataLais, frente de inteligência de dados da Lastro, mostra que o aluguel anunciado está, em média, 76% acima do orçamento declarado por quem está em busca de imóvel — uma diferença de R$ 1,3 mil entre o que as pessoas dizem poder pagar e o que o mercado está cobrando.

Como a pesquisa chegou a esse número – Levantamento que cruza quase um milhão de orçamentos reais com preços de mercado tende a escancarar o tamanho do descompasso, e foi isso que a DataLais fez ao usar inteligência artificial. Nesse sentido, a empresa processou conversas por WhatsApp entre 905.466 pessoas e 1.500 imobiliárias clientes da plataforma, colhidas entre 23 de março e 16 de setembro, e comparou o valor que cada buscador dizia poder pagar com os preços pedidos nos 118 mil apartamentos anunciados por essas mesmas imobiliárias. O resultado: orçamento mediano de R$ 1,7 mil contra aluguel mediano anunciado de R$ 3 mil, com cidades como Balneário Camboriú (131%) e Porto Alegre (100%) liderando o descompasso nacional.

O que os números do Nordeste mostram sobre a mesma pressão – Diferença de orçamento é um retrato do bolso de quem busca, mas o ritmo de alta do aluguel é outro termômetro, e as capitais nordestinas não ficam de fora dessa conta. Por outro lado, dados do índice FipeZap mostram Fortaleza acumulando alta de 16,59% em 12 meses até setembro, seguida de perto por Natal (16,51%), Aracaju (15,52%) e Teresina (13,68%) — percentuais que superam com folga a inflação do período. Assim, Recife desponta como a capital com o metro quadrado mais caro da região, R$ 64,39 em média anunciada, o que torna um apartamento de 60 m² por ali estimado em R$ 3.863 de aluguel mensal.

A pesquisa nacional da DataLais não detalha números específicos de capitais nordestinas em seu recorte por cidade, mas o cenário regional de alta acelerada reforça a mesma pressão sobre o orçamento familiar identificada no levantamento: o aluguel segue subindo mais rápido do que a capacidade de pagamento declarada por quem procura onde morar.

Nordeste Online