
O passo que decide se o dinheiro vai cair ou não é a consulta prévia, feita pelo app Carteira de Trabalho Digital
A partir de agora, quem trabalhou com carteira assinada ou atuou como servidor público em 2024 já consegue verificar, pelo próprio celular, se vai receber o abono salarial PIS/Pasep neste ano. O Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat) confirmou o calendário de pagamentos de 2026, com depósitos entre 15 de fevereiro e 15 de agosto — mas antes de qualquer data de crédito, o passo que decide se o dinheiro vai cair ou não é a consulta prévia, feita principalmente pelo aplicativo Carteira de Trabalho Digital.
Essa etapa costuma ser subestimada. É nela que aparecem as pendências que travam o pagamento — e que, na maioria dos casos, ainda dá tempo de resolver antes do fim do calendário anual. Diferente do que muita gente pensa, a consulta não é uma formalidade: é o momento em que o sistema cruza, pela primeira vez de forma visível para o trabalhador, os dados que o empregador enviou ao governo com os que constam no CPF e no cadastro de inscrição no PIS/Pasep. Qualquer divergência nesse cruzamento aparece exatamente ali, antes mesmo de o lote de pagamento do mês de nascimento correspondente ser aberto.
Por trás da mesma sigla, dois programas com histórico próprio – Antes de entrar no passo a passo, vale entender por que o benefício carrega duas siglas. O PIS (Programa de Integração Social) e o Pasep (Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público) nasceram como fundos separados, um voltado ao trabalhador da iniciativa privada e outro ao servidor público, e foram unificados administrativamente pela Lei Complementar nº 26, de 1975. Até 1988, as contribuições feitas por empresas e órgãos públicos formavam cotas individuais, corrigidas conforme o tempo de serviço e o salário de cada trabalhador — o mesmo fundo antigo que ainda hoje gera saldo esquecido para quem trabalhou naquele período.
Com a Constituição de 1988, o artigo 239 redirecionou essa arrecadação para o recém-criado Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), que passou a bancar o seguro-desemprego, o abono salarial anual e linhas de financiamento do BNDES. É esse desenho, consolidado há mais de três décadas, que sustenta o calendário de pagamento consultado hoje pela Carteira de Trabalho Digital.
Na prática, o número de inscrição continua sendo o mesmo ao longo de toda a vida profissional do trabalhador: quem sai de uma empresa privada e vira servidor público, ou o contrário, mantém a mesma numeração — apenas a instituição responsável pela conta muda, da Caixa Econômica para o Banco do Brasil ou vice-versa.
Antes de consultar: por que o nível da sua conta gov.br importa — Um detalhe que passa despercebido por muitos trabalhadores é que o próprio acesso à consulta depende do nível de segurança da conta gov.br. A plataforma classifica as contas em três selos: bronze, prata e ouro. O nível bronze, obtido apenas com CPF e dados básicos, já permite boa parte das consultas simples, mas alguns serviços mais sensíveis — como a verificação detalhada de benefícios e valores a receber — costumam exigir nível prata ou ouro.
Para subir de bronze para prata, o caminho mais rápido é validar a identidade pelo aplicativo do próprio banco: dentro do app ou site gov.br, basta escolher a opção “Aumentar nível” e selecionar login via banco credenciado.
Para chegar ao nível ouro, a validação exige biometria facial — associada aos dados da Carteira Nacional de Habilitação ou do cadastro biométrico da Justiça Eleitoral — ou o uso de certificado digital. Quem nunca configurou isso vale fazer com antecedência, antes mesmo de tentar consultar o abono, para não perder tempo no dia em que o lote do seu mês de nascimento for liberado.
Passo a passo completo na Carteira de Trabalho Digital:
1. Baixe ou atualize o app Carteira de Trabalho Digital na Play Store (Android) ou na App Store (iOS);
2. Abra o aplicativo e faça login com CPF e senha da conta gov.br;
3. Na tela inicial, toque em Benefícios;
4. Selecione a aba Abono Salarial;
5. Escolha o ano de exercício 2026 – Ano-base 2024;
6. Confira o status exibido: “habilitado” ou “não habilitado”, o valor previsto, a data de liberação e a instituição pagadora.
Se o aplicativo mostrar qualquer instabilidade ou não carregar a informação corretamente, três canais alternativos trazem o mesmo dado:
• Portal Emprega Brasil, acessado pelo navegador com login gov.br;
• Central 158 (Alô Trabalho), ligação gratuita que informa a situação do benefício mediante CPF;
• Para quem trabalha na iniciativa privada, os aplicativos Caixa Tem e Caixa Trabalhador mostram extrato e simulação de valores do PIS; para servidores do Pasep, o aplicativo e o site do Banco do Brasil cumprem a mesma função.
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