
O futuro do Brasil vai votar. E uma parte significativa desse futuro está no Nordeste. Foto: Reprodução / Internet
O futuro do Brasil vai votar. E uma parte significativa desse futuro está no Nordeste. De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a região Nordeste concentra o maior número de eleitores com menos de 18 anos no País. Do universo de 1,7 milhão de adolescentes brasileiros que já tiraram o título ou completarão 16 anos até outubro, 676 mil estão em estados nordestinos.
A princípio, isso representa 40% do total nacional. Enquanto isso, Sul e Sudeste registraram queda na participação dessa faixa etária. Ao mesmo tempo, o dado é relevante não apenas pelo volume, mas pelo que ele indica: a juventude nordestina está mais engajada politicamente do que nunca.
Quem são esses jovens? – Longe de ser um grupo homogêneo, o eleitorado jovem brasileiro tem características que merecem atenção. Um dos movimentos mais interessantes apontados pela pesquisa é a redução da diferença entre meninas e meninos. Historicamente, as meninas sempre foram maioria entre os adolescentes que tiram o título. Em 2022, a diferença era expressiva. Neste ano, os meninos estão chegando perto. Veja na prática:
Aos 15 anos: Em 2022, meninas eram 57% contra 43% de meninos. Agora, os rapazes já somam quase 48%. Aos 16 anos: A diferença caiu de 12 pontos percentuais (2022) para apenas 6 pontos em 2026. Aos 17 anos: A distância encolheu de 8 para apenas 2 pontos percentuais. É quase um empate técnico. E isso tem impacto direto na forma como as campanhas vão dialogar com esse público.
Por que esse voto pesa mais em 2026? – Antes de mais nada, mesmo representando cerca de 1,1% do eleitorado total (aproximadamente 158 milhões de brasileiros aptos a votar), o voto dos adolescentes ganhou relevância estratégica. Afinal, a última eleição presidencial foi decidida por uma margem de apenas 1,8 ponto percentual no segundo turno.
Nesse cenário, 1,7 milhão de votos pode fazer toda a diferença. Além disso, os jovens têm um poder de mobilização e ação que outras faixas etárias nem sempre conseguem replicar. Eles levam pautas para a escola, para casa, para as redes sociais. E convencem outros a votar.
E agora? – Com o prazo para tirar o título encerrado em 6 de maio, o dado já está praticamente consolidado. Resta saber como as campanhas vão se preparar para conquistar esse eleitorado que é, ao mesmo tempo, idealista e pragmático. Uma coisa é certa: a diferença de 1,8 ponto percentual de 2022 está na cabeça de todos os estrategistas políticos. E 1,7 milhão de jovens podem ser exatamente o fio de navalha que define quem sentará na cadeira presidencial no ano que vem.
Eliseu Lins / Agência NE9
