Ontem, pela manhã, no auditório da sede do Sistema OCB/PB, localizado na Avenida Coremas, nº 498, Centro, em João Pessoa, no estado da Paraíba (PB), Brasil, ocorreu o exitoso lançamento da “Agenda Institucional do Cooperativismo Paraibano 2026”, publicação de 29 páginas que busca contribuir para a construção de um futuro mais justo, inclusivo e próspero, por meio da força dos oito ramos do cooperativismo presentes nos municípios paraibanos.

O presidente do Conselho de Administração do Sistema OCB/PB, o médico José Calixto da Silva Filho, e o presidente executivo do Sistema OCB/PB, o médico André Pacelli, foram os anfitriões do evento. Conforme ressaltou o presidente André Pacelli, “mais que um segmento, o cooperativismo é o caminho para a construção de um modelo econômico mais humano e resiliente” (SISTEMA OCB-PB, 2026, p. 7). De fato, as cooperativas dos oito ramos (agropecuário, consumo, crédito, infraestrutura, saúde, seguros, transporte e trabalho, produção e serviços -TPS) possuem enorme responsabilidade na ampliação do Produto Interno Bruto (PIB) e do PIB per capita, na melhoria do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) e na redução do Índice de Gini da Paraíba nos próximos anos.

Durante o evento, testemunhei a assinatura de um Termo de Cooperação Técnica entre o Conselho Regional de Economia da Paraíba (CORECON-PB), representado pelo seu atual presidente, o economista Werton Oliveira, e pelo vice-presidente, o economista Celso Pinto Mangueira, e o Sistema OCB/PB, representado pelo presidente André Pacelli, pelo superintendente Pedro D’Albuquerque e pelo presidente do Conselho de Administração, José Calixto da Silva Filho. Essa relevante iniciativa poderá gerar importantes resultados para o cooperativismo paraibano, inicialmente com maior impacto no ramo agropecuário.

Também acompanhei a excelente palestra da renomada socióloga e economista pernambucana Tânia Bacelar, intitulada “Oportunidades e desafios para o desenvolvimento do Nordeste”. Em uma análise abrangente e qualificada sobre a realidade dos nove estados nordestinos, especialmente da Paraíba, a Professora Tânia Bacelar destacou inicialmente o prolongado período de baixo crescimento econômico brasileiro no pós-2015 e, em seguida, ressaltou a crescente relevância do agronegócio exportador nacional.

Tânia Bacelar também revelou preocupações quanto aos rumos da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), cuja atuação contemporânea, segundo sua avaliação, distancia-se significativamente da concepção original idealizada por seu primeiro superintendente em Recife, o célebre economista paraibano Celso Furtado (1920-2004).

A sócia da CEPLAN Tânia Bacelar apontou ainda a região do MATOPIBA como uma das fronteiras agropecuárias mais dinâmicas do Brasil, porém, manifestou preocupação com a não conclusão da Ferrovia Transnordestina e enfatizou a extraordinária importância da Transposição das Águas do Rio São Francisco. Segundo sua avaliação, o acesso às águas brutas do Rio São Francisco, particularmente para as várzeas de Sousa, possui elevado potencial transformador e já vem alterando perspectivas históricas de desenvolvimento do Semiárido.

A Professora Tânia Bacelar também destacou a crescente interiorização da escolarização e da formação profissional dos jovens nordestinos. Esses jovens representam e representarão uma força de trabalho cada vez mais qualificada para o cooperativismo e para o fortalecimento do empreendedorismo regional. Segundo sua análise, observa-se mudança relevante nas aspirações profissionais das novas gerações, com menor centralidade do emprego público como principal horizonte ocupacional.

A renomada economista nordestina revelou ainda preocupação com a reduzida extensão da malha ferroviária brasileira, particularmente em um país de dimensão continental como o Brasil, embora tenha reconhecido sinais recentes de mudança e retomada do debate e dos investimentos no modal ferroviário, como instrumento estratégico de integração e competitividade internacional.

Tânia Bacelar, especialista em desenvolvimento regional, também sugeriu que economistas nordestinos, especialmente os paraibanos, em parceria com cooperativas e instituições de pesquisa, aprofundem estudos sobre novas agendas de desenvolvimento sustentável, com destaque para a Economia do Mar, a Economia Regenerativa e a Economia Criativa, áreas com elevado potencial de geração de emprego e renda, inovação e sustentabilidade no Nordeste.

Entre os principais obstáculos ao desenvolvimento sustentável do Nordeste, permanece a insuficiência do saneamento básico, um dos gargalos estruturais da região há décadas, com impactos diretos sobre a saúde pública, a produtividade econômica e a qualidade de vida da população nordestina, devido ao problemático acesso ao abastecimento de água, esgotamento sanitário, manejo de resíduos sólidos e drenagem de águas pluviais.

É inegável que o Nordeste avançou significativamente nas últimas décadas. A modernização dos Portos de Suape e Pecém, a expansão das energias renováveis, especialmente solar e eólica, o crescimento da construção civil e do turismo na Paraíba, as cisternas, a energia elétrica na zona rural, além de diversos investimentos em infraestrutura logística ampliaram a competitividade regional e abriram novas oportunidades econômicas.

Todavia, tais avanços não eliminam profundas desigualdades. Ainda hoje coexistem vários Nordestes: um mais integrado e dinâmico economicamente e outro marcado pela pobreza persistente; um com elevado capital humano e outro ainda atingido pelo analfabetismo; um que conhece e pratica o cooperativismo como instrumento de transformação econômica e social e outro que ainda desconhece completamente seu potencial; um marcado pela vulnerabilidade habitacional e outro caracterizado por elevado padrão de renda e patrimônio. Reconhecer esses “vários Nordestes” para a existência de “um único Nordeste” é condição essencial para a formulação de políticas públicas e estratégias cooperativistas em plena Quarta Revolução Industrial.

Entre gestores do Poder Executivo e do Poder Legislativo da capital paraibana e do estado, pré-candidatos aos cargos de governador do estado da Paraíba, de deputado estadual à Assembleia Legislativa e de deputado federal à Câmara dos Deputados, em Brasília, além de lideranças cooperativistas e jornalistas, cheguei cedo ao evento como convidado do presidente André Pacelli, para o lançamento da “Agenda Institucional do Cooperativismo Paraibano 2026”. Iniciei minhas anotações, além do agendamento de novas entrevistas para o programa Economia em Alta, da Rádio Web Alta Potência, na capital paraibana.

Na oportunidade, conversei com diversas lideranças e profissionais de diversas funções para agendar futuras participações no meu programa, entre eles, Rangel Júnior (ex-reitor da UEPB e ex-presidente da Fapesq-PB), Nazareno Sampaio (vice-presidente da Central Sicredi Nordeste, em Fortaleza no Ceará, que pessoalmente conheceu a Desjardins em Levis como também em Montreal na província francófona de Quebec), Mauro Borba (Coopervalle), José Calixto (Coopecir PB), Cauby (ex-diretor da CEPA), Francivaldo (professor da UFPB no Campus Bananeiras), Janete Xavier Leite (Cooprafe em Santa Rita e vice-presidente do Conselho de Administração da OCB-PB), Alex Magno (diretor financeiro-administrativo da Frutiaçu em Rio Tinto), Eduardo Frade (advogado tributarista), entre tantos outros.

O programa Economia em Alta é veiculado pela Rádio web Alta Potência, toda terça-feira, a partir das 18h, consolidou-se como o único programa exclusivamente dedicado à Economia no rádio online do estado da Paraíba. Desde sua criação, em novembro de 2023, já realizou mais de 110 entrevistas com economistas, professores de Economia, estudantes de Economia, empresários, contadores, gestores públicos, cooperativistas e especialistas de diversas áreas, ultrapassando 11 mil visualizações nas gravações disponibilizadas no YouTube.

O programa Economia em Alta conta atualmente com o patrocínio da Execução Contabilidade e do Sistema OCB/PB, fortalecendo-se como espaço relevante para o debate econômico, empresarial e cooperativista paraibano. Já realizamos três entrevistas internacionais, uma direta de Vancouver, no Canadá, uma direta de Lisboa, em Portugal, e a outra direta de Stuttgart, na Alemanha, pela ferramenta Google Meet.

É importante destacar que a “Agenda Institucional do Cooperativismo Paraibano 2026”, com 68 propostas que vão guiar o cooperativismo na PB, ele revela um cenário promissor para a expansão do segmento no estado. Segundo o documento, 80% dos entrevistados acreditam que o atual contexto econômico e social da Paraíba é favorável ao desenvolvimento do cooperativismo.

Por outro lado, a publicação também evidencia desafios relevantes. 76,4% dos entrevistados acreditam que a falta de conhecimento da população sobre o cooperativismo é o maior obstáculo ao desenvolvimento do setor na Paraíba, estado que atualmente reúne 223 municípios e população superior a 4,1 milhões de habitantes.

Com certeza, foi uma manhã inesquecível, começou com um delicioso café da manhã bem nordestino na Casa do Cooperativismo Paraibano e terminou com um delicioso almoço na Picanha do Bastos, no bairro da Torre, ao lado do presidente André Pacelli, da estimada economista Tânia Bacelar (foto) e de líderes cooperativistas. Concluo este novo artigo parabenizando toda a equipe de dirigentes e funcionários do Sistema OCB/PB pela organização do evento e pela dedicação em receber bem os convidados, pois tudo começou e terminou com absoluto sucesso. O recado foi dado: “Somos Coop, sejamos Coop”.

Paulo Galvão Júnior