O Brasil atravessa mais uma encruzilhada. A economia patina, a política se digladia e, como se não bastasse, os ventos da geopolítica mundial sopram incertezas sobre todos nós. Internamente, os sinais são claros: o crescimento é lento, a inflação resiste a ceder e a promessa de um futuro melhor parece cada vez mais distante. A população sente no bolso o peso da alta dos alimentos, dos combustíveis e dos juros — que, apesar dos discursos otimistas, continuam sufocando o crédito e o consumo.

Enquanto isso, no Congresso, reformas estruturais seguem travadas em disputas ideológicas e acordos de bastidores que pouco têm a ver com o interesse público. Parlamentares criticam gastos do Executivo e do STF, mas não abrem mão de suas emendas bilionárias, fundos partidários e privilégios.

No campo político, o embate entre esquerda e direita segue dividindo o país. O radicalismo alimenta narrativas, mas paralisa soluções. Quando o debate vira gritaria e o diálogo dá lugar à ofensa, quem perde é o cidadão comum. Resultado: obras inacabadas, hospitais sem médicos, escolas sucateadas, estradas esburacadas, pontes que caem e uma segurança pública que não protege. De quatro em quatro anos, repetem-se as promessas; no intervalo, repete-se a frustração.

No cenário internacional, os conflitos parecem distantes, mas seus reflexos são imediatos. Guerras no Oriente Médio e no Leste Europeu pressionam o preço do petróleo e, por consequência, encarecem o transporte, os alimentos e a vida do trabalhador brasileiro. Uma bomba lançada do outro lado do mundo pode esvaziar o prato na mesa de uma família aqui. Pergunta-se: será que o país suporta mais esse aperto?

Diante disso, o Brasil precisa de algo que tem sido escasso: equilíbrio. É urgente desarmar ânimos, retomar o diálogo e colocar os interesses coletivos acima dos projetos de poder. A política não pode continuar sendo um ringue nem a economia um palco de promessas que não chegam ao povo. Para completar, cresce o risco de censura velada nas redes sociais, onde o cidadão comum pode ser punido por dizer o que pensa, enquanto autoridades seguem blindadas.

A hora é de responsabilidade — não apenas com o presente, mas com o futuro de um país que não aguenta mais ser enganado por quem deveria governar em seu nome.

Adriano Lourenço