Hoje vesti um vestido que comprei da Auristea, uma amiga querida que morreu há pouco tempo. Lembrei dela na hora em que coloquei o vestido. Interessante como comecei a pensar que, para nos lembrarmos de algo, é necessário um “registro”, uma “peça”, um “artefato”, uma ata, pois somos tendentes a esquecer das coisas (como realmente aconteceram) e das pessoas.
Você pode até dizer: “A gente só esquece aquilo que não é relevante.” Discordo. Nossa mente é bombardeada constantemente com diversos tipos de informações, e nosso corpo é movido continuamente por tantas atividades que, às vezes, nos vemos abarrotados — literalmente sem espaço.
É por isso que existem os livros, as agendas, os diários (físicos ou eletrônicos), os álbuns de fotografias, os troféus… para olharmos e relembrarmos com clareza o que se passou. E para não esquecermos do passado nem dos compromissos que firmamos.
Relembrar é bom:
De quem nos fez bem — quem sabe, para agradecer;
De quem nos fez mal — talvez para perdoar (ou manter distância segura);
Das aventuras — quem sabe, para repeti-las;
Dos erros — para não cometermos outros iguais.
Lembrar de Deus; dos pais, dos amigos; da fé pura de outrora; dos planos engavetados; enfim…
E falo de relembrar, não de remoer.
Dirigindo hoje nessa chuva que não pára, lembrei de um resgate que fiz: um homem perdeu o controle do carro e subiu num canteiro. Ao sair do carro, caiu em um bueiro aberto. Chovia muito, e o bueiro começou a encher. Ele não conseguia subir, pois não havia escada — e aquele bueiro nem deveria estar aberto! Alguém que passava pela estrada viu o carro em cima do canteiro, sem ninguém por perto, achou estranho e chamou os Bombeiros. Eu estagiava com eles.
Ao recebermos o chamado, fomos imediatamente ao local. Analisada a cena, tínhamos pouco tempo: alguém teria que descer e erguer o cidadão. Quem fosse menor, pois o bueiro era bem estreito. Foi emocionante erguer aquele senhor, com os Bombeiros segurando as cordas! Nunca esquecerei aquele estágio. Mas será que aquele homem lembra de mim? Certamente não. Mas não importa. Essa lembrança me faz bem por si só.
Vamos continuar fazendo história e colecionando lembranças!
Diana Flávia

