Considerações iniciais
O Dia do Economista, celebrado em 13 de agosto, constituiu uma oportunidade especial para reconhecer a relevância dos profissionais que estudaram, interpretaram e contribuíram para transformar a realidade econômica e social do Brasil. Em João Pessoa, a data adquiriu significado ainda maior ao se converter em um momento de valorização da trajetória de professores que contribuíram para a formação de sucessivas gerações de economistas.
Nesse contexto, o programa Economia em Alta, realizado na Rádio Web Alta Potência, no bairro da Torre, em João Pessoa, representou um importante momento de valorização da profissão de economista na Paraíba e de reconhecimento daqueles que dedicaram suas trajetórias à Economia.
A entrevista, intitulada “Homenagem Especial do Programa Economia em Alta, no Dia do Economista, ao Professor Edivaldo Teixeira de Carvalho”, teve duração de uma hora e trinta minutos e contou com a participação de três renomados economistas, por meio de depoimentos gravados em áudio pelo WhatsApp: Eduardo Ribeiro Coutinho, Marcos Calheiros e Luiz Alberto Machado. O programa também contou com a presença, no estúdio da Rádio Alta Potência, da esposa do homenageado, Senhora Dina, que participou daquele momento especial.
O economista e sua responsabilidade social
Ser economista foi muito além de trabalhar com números, gráficos, tabelas, inflação, juros, câmbio, emprego, renda ou crescimento econômico. A Economia, enquanto ciência social aplicada, busca compreender como os recursos escassos foram alocados e como as decisões econômicas afetaram diretamente a vida das pessoas, das famílias, das empresas, do setor público e das relações econômicas internacionais.
Em uma sociedade marcada por desigualdades socioeconômicas, transformações tecnológicas, mudanças climáticas e desafios fiscais, a responsabilidade do economista ultrapassou os limites das instituições públicas e privadas. Coube a esse profissional interpretar os acontecimentos, analisar problemas estruturais e contribuir para a formulação de alternativas capazes de ampliar as oportunidades de emprego, elevar a renda, estimular os investimentos, aumentar a produtividade e promover um processo de desenvolvimento economicamente dinâmico, socialmente inclusivo e ambientalmente sustentável.
Na Paraíba, essa missão mostrou-se particularmente relevante. O estado precisa avançar mais na geração de emprego e renda, na elevação da produtividade, na inovação, na educação, na infraestrutura logística, na diversificação e industrialização de sua estrutura produtiva e na sustentabilidade ambiental.
A Economia a serviço do desenvolvimento sustentável
A profissão de economista adquiriu ainda maior relevância quando o conhecimento técnico foi colocado a serviço do desenvolvimento sustentável.
No caso da Paraíba, isso significou contribuir para o debate sobre os caminhos necessários para elevar a produtividade, ampliar os investimentos, diversificar a estrutura produtiva, fortalecer o empreendedorismo, estimular a inovação, melhorar a infraestrutura, qualificar a força de trabalho e ampliar a geração de empregos formais e de melhor remuneração.
Também significou incorporar de forma permanente a dimensão ambiental às decisões econômicas. Tornou-se cada vez mais difícil pensar em crescimento econômico, geração de emprego, competitividade e expansão dos investimentos sem considerar os impactos das mudanças climáticas, a transição para uma economia de baixo carbono, a segurança hídrica, a qualidade ambiental e o uso sustentável dos recursos naturais.
Dessa forma, crescimento econômico e sustentabilidade ambiental não deveriam ser compreendidos como agendas concorrentes, mas como dimensões complementares de um mesmo projeto de desenvolvimento sustentável.
Uma homenagem especial ao Professor Edivaldo Teixeira de Carvalho
Homenagear o Professor Edivaldo Teixeira de Carvalho, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), no Dia do Economista significou reconhecer a importância da docência na formação profissional, acadêmica e intelectual de sucessivas gerações de economistas.
A sala de aula foi um dos espaços privilegiados em que a Economia ganhou vida. Nela, conceitos como crescimento, desenvolvimento, inflação, desemprego, investimento, produtividade, mercado, planejamento e competitividade deixaram de ser apenas definições encontradas nos livros e passaram a constituir instrumentos para a interpretação da realidade.
O professor de Economia exerce, portanto, uma responsabilidade especial: formar profissionais capazes de pensar criticamente, analisar evidências e compreender que, por trás de cada indicador econômico, existem pessoas, famílias, empresas e instituições públicas e privadas.
Homenagear o Professor Edivaldo Teixeira de Carvalho significou reconhecer sua trajetória profissional, bem como a contribuição de todos os professores que dedicaram parte de suas vidas à formação de economistas na Paraíba.
O pensamento econômico nordestino tem uma tradição intelectual de grande relevância. Economistas como Celso Furtado (1920-2004) demonstraram que compreender o desenvolvimento regional exigia analisar as estruturas históricas responsáveis pela reprodução das desigualdades e formular estratégias capazes de enfrentá-las.
Nesse sentido, o economista nordestino assumiu uma responsabilidade particularmente importante: interpretar as especificidades da realidade regional e contribuir para que o crescimento econômico se transformasse em desenvolvimento, redução das desigualdades regionais e sociais e melhoria da qualidade de vida da população nordestina.
Considerações finais
O Dia do Economista em João Pessoa foi, portanto, muito mais do que uma data comemorativa. Constituiu uma oportunidade para celebrar uma profissão essencial à compreensão e à transformação da realidade econômica e social do Brasil, do Nordeste e da Paraíba.
O programa Economia em Alta, realizado na Rádio Web Alta Potência, no bairro da Torre, simbolizou esse espírito de valorização da profissão de economista na terra de Celso Monteiro Furtado, o mais importante economista brasileiro de todos os tempos.
Durante o programa Economia em Alta, foi divulgado o livro O Tenente: Cadernos de um Expedicionário na Segunda Guerra Mundial, de Celso Furtado, com organização, apresentação e notas de Rosa Freire d’Aguiar, renomada escritora, tradutora e jornalista, além de viúva de Celso Furtado.
Também foi lançada, ao vivo, a segunda etapa de novas doações de obras de Celso Furtado para a Biblioteca Juarez da Gama Batista, localizada no Espaço Cultural José Lins do Rego, em João Pessoa. Com a valiosa e histórica doação da estimada escritora Rosa Freire d’Aguiar, o acervo da biblioteca pública passou a contar com 20 obras de Celso Furtado, fortalecendo o acesso público ao pensamento de um dos mais importantes intérpretes do Brasil.
A homenagem especial ao Professor Edivaldo Teixeira de Carvalho, acompanhada dos relevantes depoimentos dos economistas Eduardo Ribeiro Coutinho, Marcos Calheiros e Luiz Alberto Machado, representou o reconhecimento de sua trajetória e de sua contribuição para a formação acadêmica e para o debate econômico na Paraíba, no Nordeste e no Brasil.
Celebrar o Dia do Economista significou também valorizar aqueles que, por meio da docência, da atuação profissional e do debate público, contribuíram para formar novas gerações e interpretar os grandes desafios econômicos, sociais e ambientais do nosso tempo.
Que os economistas paraibanos continuem contribuindo para a construção de uma Paraíba, de um Nordeste e de um Brasil com uma economia mais dinâmica, produtiva, inclusiva, inovadora, socialmente justa e ambientalmente sustentável.
Portanto, homenagear um professor de Economia da UFPB no Dia do Economista significou homenagear a própria capacidade de uma sociedade de formar pessoas para compreender, questionar e transformar sua realidade socioeconômica.
Paulo Galvão Júnior
Link do Programa Economia em Alta no Dia do Economista:

