
Conjuntos habitacionais, maior população, universidades, comércio e novos serviços, transformaram a Zona Sul
Depois de crescer às margens do Rio Sanhauá e avançar em direção à orla, João Pessoa iniciou outra transformação urbana. A partir das décadas de 1970 e 1980, grandes projetos habitacionais passaram a direcionar a ocupação para as regiões sul e sudeste da cidade.
A expansão foi impulsionada por programas públicos de moradia, abertura de avenidas e construção de conjuntos residenciais em áreas ainda afastadas do núcleo urbano consolidado. Mangabeira, Bancários e Valentina de Figueiredo estão entre os principais resultados desse processo.
Os bairros nasceram ou se consolidaram com forte vocação residencial, mas não permaneceram dependentes do Centro. Ao longo das décadas, receberam comércio, escolas, universidades, unidades de saúde, bancos, restaurantes e serviços que formaram novas centralidades dentro de João Pessoa.
Política habitacional direcionou o crescimento para o sul – A ocupação da Zona Sul está ligada ao crescimento populacional de João Pessoa e à necessidade de ampliar a oferta de moradias. Entre as décadas de 1960 e 1980, políticas financiadas pelo Sistema Financeiro da Habitação e pelo Banco Nacional da Habitação estimularam a construção de grandes conjuntos residenciais em áreas mais distantes do Centro. Os projetos habitacionais passaram a funcionar como vetores de expansão.
Em vez de acompanhar apenas as áreas que já estavam ocupadas, o poder público implantava moradias em novos territórios e, posteriormente, precisava levar transporte, saneamento, escolas, saúde e outros serviços até essas comunidades. Na década de 1980, esse movimento contribuiu para o surgimento ou ampliação de bairros como Mangabeira, Bancários, Valentina de Figueiredo, Grotão, Funcionários e Bairro das Indústrias.
Valentina levou a cidade para além do Rio Cuiá – O Parque Residencial Valentina de Figueiredo foi inaugurado em 25 de outubro de 1984 como um grande conjunto habitacional planejado na Zona Sul. A construção envolveu o Instituto de Previdência do Estado da Paraíba e o sistema federal de financiamento habitacional. A primeira etapa teria reunido 4.401 unidades residenciais, destinadas inicialmente a atender parte do déficit habitacional e a receber servidores públicos e outras famílias.
O nome homenageia Valentina Silva de Oliveira Figueiredo, mãe do então presidente João Batista de Figueiredo. A implantação do conjunto ampliou a ocupação para além do Rio Cuiá e consolidou um novo vetor de crescimento. A partir dali, João Pessoa continuou avançando em direção a Paratibe, Muçumagro, Gramame e outras áreas da região sul.
Valentina desenvolveu comércio e serviços próprios – Assim como ocorreu em Mangabeira, o crescimento populacional estimulou a abertura de estabelecimentos comerciais e serviços no Valentina. O bairro passou a reunir supermercados, bancos, escolas, unidades de saúde, feiras, lojas, oficinas, academias e atividades profissionais. A distância em relação ao Centro favoreceu o desenvolvimento de uma estrutura local capaz de atender às necessidades dos moradores.
As avenidas principais tornaram-se corredores comerciais e pontos de circulação entre o Valentina e bairros como Mangabeira, Paratibe, Muçumagro e Gramame. Essa autonomia relativa fortaleceu o papel do bairro como uma centralidade da parte mais ao sul da capital.
Expansão imobiliária continua na região – A Zona Sul ainda concentra parte importante do crescimento horizontal de João Pessoa. Áreas próximas ao Valentina, Gramame e Paratibe receberam conjuntos residenciais, condomínios, loteamentos e empreendimentos ligados a programas habitacionais. O movimento mantém a tradição iniciada pelas políticas de habitação das décadas de 1970 e 1980, agora combinada com investimentos privados.
A disponibilidade de terrenos e os preços mais acessíveis – em comparação com áreas próximas à orla marítima – atraíram famílias e construtoras. Esse avanço, entretanto, exige planejamento para evitar que novas moradias sejam entregues sem transporte, escolas, unidades de saúde, drenagem, saneamento e espaços de convivência.
Crescimento trouxe desafios de mobilidade e infraestrutura – A expansão também aumentou as distâncias percorridas diariamente pelos moradores. Muitos trabalhadores e estudantes continuam se deslocando entre a Zona Sul, o Centro e a orla, pressionando avenidas como Pedro II, Hilton Souto Maior, Josefa Taveira e os acessos ao Valentina.
O adensamento exige novos investimentos em transporte coletivo, calçadas, ciclovias, drenagem, saneamento, iluminação e segurança viária. Outro desafio é proteger rios, matas e áreas de preservação que ainda permanecem na região. O crescimento urbano sem controle pode ampliar alagamentos, congestionamentos e ocupações em locais ambientalmente frágeis.
Paraíba Business
