
Taxa média nacional chegou a R$ 516, enquanto inadimplência condominial alcançou 13,86% no Estado. Foto: Arquivo
O condomínio deixou de ser apenas uma despesa complementar para ganhar peso na decisão de compra e no orçamento de quem vive em imóveis residenciais. No Brasil, a taxa média chegou a R$ 516 por mês no primeiro semestre de 2025, alta de 24,9% em três anos, segundo o Censo Condominial 2025/2026, elaborado pela uCondo com dados do IBGE e da Receita Federal.
Na Paraíba, o impacto aparece em outro indicador: a inadimplência das taxas condominiais chegou a 13,86% em julho de 2025, segundo dados divulgados pelo Sindicato das Empresas de Compra Venda Locacao e Administracao de Imoveis e dos Condominios Residenciais e Comerciais do Estado da Paraiba (Secovi-PB). O índice supera o patamar de 10% considerado ideal por especialistas do setor e acende um alerta para a capacidade de pagamento dos moradores.
Imóvel mais caro – Em João Pessoa, a pressão sobre o orçamento ocorre em um mercado imobiliário que também passou por forte valorização. O preço médio do metro quadrado residencial chegou a R$ 7.970 em dezembro de 2025, após alta de 15,15% em 12 meses, segundo o Índice FipeZAP. A Capital registrou a segunda maior valorização entre as cidades monitoradas pelo índice naquele ano.
O movimento muda a conta de quem procura um imóvel. Além do preço de compra ou do aluguel, entram na equação condomínio, IPTU, manutenção e outros custos recorrentes. A própria pesquisa nacional mostra que, em alguns casos, a taxa condominial pode chegar a representar 40% do valor do aluguel, razão pela qual o custo vem sendo tratado como um “segundo aluguel”.
O que encarece – A elevação das taxas está ligada ao aumento dos custos de operação e à maior estrutura oferecida pelos empreendimentos. Áreas de lazer, segurança, portaria, manutenção de elevadores e infraestrutura tecnológica estão entre os itens que pressionam o orçamento.
Também crescem investimentos em espaços para pets e em infraestrutura para recarga de veículos elétricos. Ao mesmo tempo, os gastos com mão de obra continuam relevantes para os condomínios. O resultado é uma mudança no perfil de avaliação dos imóveis: apartamentos com mais serviços podem oferecer maior comodidade, mas também exigem uma capacidade financeira maior para manter a estrutura funcionando.
Inadimplência preocupa – O problema não termina no orçamento individual. Quando parte dos moradores deixa de pagar, o condomínio continua tendo de arcar com despesas como limpeza, segurança, manutenção e funcionários. Na Paraíba, o índice de 13,86% de inadimplência já ultrapassa o nível considerado saudável pelo setor.
Segundo o consultor Érico Feitosa, do Secovi-PB, a gestão precisa trabalhar com planejamento financeiro, fundo de reserva, assembleias participativas e mecanismos eficientes de cobrança. A inadimplência também pode gerar um efeito indireto sobre quem paga em dia, pressionando o caixa do condomínio e dificultando a realização de obras e manutenção.
Gestão ganha importância – Com custos maiores e moradores mais sensíveis ao orçamento, a profissionalização da administração passa a ter papel estratégico. Previsão orçamentária, controle de contratos, manutenção preventiva e transparência na prestação de contas podem evitar cobranças extraordinárias e reduzir a necessidade de repasses inesperados aos moradores.
Para quem compra ou aluga, a recomendação é simples: o valor do condomínio precisa entrar na conta antes da decisão pelo imóvel. Em um mercado como o de João Pessoa, onde os preços residenciais avançaram 15,15% em 2025, ignorar essa despesa pode distorcer significativamente o custo real de morar.
Paraíba Business
