O ambiente digital subiu de 7º para 5º lugar entre os locais com maior ocorrência de violência no Brasil este ano

O Ministério das Mulheres, comandado pela ministra Márcia Lopes, registrou um crescimento de 188% nas denúncias sobre violência digital contra a mulher, comparados os primeiros cinco meses deste ano com o do ano passado. Ao todo, o número de ocorrências saltou de 5.795 para 16.725.

Em café com jornalistas na manhã desta segunda-feira (22) a ministra adiantou uma atualização do protocolo de enfrentamento da violência. As medidas fazem parte da campanha “O Digital é o Nosso Lugar”, já que o ambiente virtual subiu de 7º para 5º na posição dos locais com mais registros de violência no Brasil. Agora, a Central do Ligue 180 vai contar com um protocolo específico e qualificação dos atendentes para atualizar a tipologia digital, com reforço no atendimento já existente.

A iniciativa será realizada pelo Ministério das Mulheres e a Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência da República) e faz parte do Pacto Brasil entre os Três Poderes contra o Feminicídio. Para isso, em 9 de junho a pasta começou uma capacitação dos atendentes e reformulou o sistema de registro. Somente este ano, 2.281 denúncias tiveram o ambiente virtual como cenário da violência, além de 54 ocorrências que somam 93 violações digitais.

Quem são as maiores vítimas? – Os dados do Ministério das Mulheres apontam que a maior concentração de vítimas ocorre em três faixas etárias: de 50 a 54 anos, 35 a 39 anos e 20 a 29 anos. A coordenadora-geral do Ligue 180, Ellen Costa, destacou que a qualificação permanente das atendentes é essencial para acompanhar as transformações da violência contra as mulheres.

“A qualificação permanente das atendentes do Ligue 180 é fundamental para garantir um acolhimento cada vez mais preparado, humanizado e resolutivo. A violência digital exige conhecimento específico para identificar, orientar e encaminhar. Investir na qualificação é fortalecer a capacidade de resposta do Estado e garantir que as mulheres encontrem no Ligue 180 um acolhimento preparado e resolutivo”, afirmou Ellen Costa.

Segundo Márcia Lopes, o objetivo da qualificação é aprimorar a capacidade da Central para reconhecer, acolher e orientar vítimas e denunciantes de violência digital, como ameaças, perseguição virtual (stalking), invasão de contas, divulgação não consentida de imagens íntimas, chantagem e uso de inteligência artificial para criação de deepfakes.

Com a atualização, as atendentes foram preparadas para orientar, em linguagem acessível, sobre como preservar provas (como prints com data e hora), acionar as plataformas digitais e registrar boletim de ocorrência, se for o desejo da vítima. Além da formação, o protocolo de atendimento do Ligue 180 foi reformulado para permitir um registro mais detalhado e eficiente das situações.

As mudanças tornarão mais visíveis o meio utilizado para a agressão, a existência de conteúdos manipulados por inteligência artificial e a relação da violência digital com outras formas de agressão já sofridas pela vítima, gerando dados mais qualificados para a formulação de políticas públicas. Em 2025, foram registradas 9.079 denúncias com mais de 10 mil violações relacionadas a violências digitais. A maior parte das denúncias foi feita pela própria vítima, com 6.614 registros.

O perfil das vítimas mostra predominância de mulheres negras, que representam 48,0% dos registros (4.362), sendo 37,5% mulheres pardas (3.409) e 10,5% mulheres pretas (953). Em seguida, aparecem as mulheres brancas, com 34,2% dos registros (3.105). Os dados também indicam que 25,7% das vítimas (2.329) tinham ensino médio completo e que 45,9% (4.168) estavam entre mulheres sem rendimento ou com renda de até um salário-mínimo.

Portal R7