Taxa de informalidade recua e rendimento médio mantém maior valor da série histórica. Foto: Reprodução / Internet

A taxa de desemprego no Brasil voltou a subir no trimestre encerrado em abril de 2026, atingindo 5,8%, segundo dados da Pnad Contínua divulgados nesta quinta-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice representa um aumento de 0,4 ponto percentual em relação ao trimestre encerrado em março e indica que 6,3 milhões de brasileiros procuraram emprego sem conseguir colocação no período — cerca de 471 mil pessoas a mais na comparação trimestral.

Apesar da alta do desemprego, indicadores estruturais do mercado de trabalho permaneceram relativamente estáveis. A taxa de informalidade apresentou leve recuo, o contingente de trabalhadores desalentados se manteve estável e o rendimento médio real habitual alcançou R$ 3.732, mantendo o maior patamar da série histórica da Pnad Contínua.

Efeito sazonal impacta ocupação — De acordo com o IBGE, a elevação da taxa de desocupação está associada principalmente ao comportamento sazonal de setores que tradicionalmente contratam mais no fim do ano e reduzem vagas nos primeiros meses seguintes. “A alta da desocupação decorre essencialmente do movimento sazonal de atividades como comércio e serviços pessoais, que não conseguem manter o mesmo ritmo de contratação após o período de maior aquecimento econômico”, explicou a coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do instituto, Adriana Beringuy.

A população ocupada foi estimada em 102,3 milhões de pessoas, registrando queda de 0,3% em relação ao trimestre anterior, o equivalente a menos 338 mil trabalhadores. Na comparação anual, porém, houve crescimento de 1,1%, com acréscimo de 1,07 milhão de ocupados. O nível de ocupação — indicador que mede a proporção de pessoas trabalhando dentro da população em idade ativa — ficou em 58,4%, ligeiramente abaixo dos 58,7% observados no trimestre móvel encerrado em janeiro.

Mercado segue aquecido — Embora os dados mostrem perda de ritmo no curto prazo, o IBGE avalia que o mercado de trabalho permanece em patamar elevado quando comparado aos anos anteriores. Segundo Adriana Beringuy, a redução recente não altera o cenário de sustentação da geração de renda e emprego observado ao longo dos últimos trimestres. A avaliação é reforçada pela estabilidade das diferentes formas de ocupação e pelo avanço contínuo do rendimento médio.

Entre os trabalhadores do setor privado, 39,3 milhões tinham carteira assinada, enquanto 13,3 milhões atuavam sem formalização. O número de trabalhadores por conta própria chegou a 26 milhões, enquanto o setor público empregava 12,9 milhões de pessoas. O único segmento com redução significativa de vagas foi o grupo de “Outros serviços”, que perdeu cerca de 162 mil postos de trabalho no trimestre. Os demais setores permaneceram estáveis.

Informalidade e desalento recuam no ano — A taxa de informalidade caiu para 37,2% no trimestre encerrado em abril, abaixo dos 37,5% registrados no trimestre anterior e dos 38% observados no mesmo período de 2025. O contingente de trabalhadores informais foi estimado em 38,1 milhões de pessoas. Já a taxa composta de subutilização da força de trabalho permaneceu em 13,8%, equivalente a 15,7 milhões de brasileiros. Apesar da estabilidade trimestral, o indicador apresentou melhora relevante em relação ao ano passado, quando atingia 15,4%.

O número de desalentados — pessoas que desistiram de procurar emprego — ficou em 2,6 milhões, mantendo estabilidade frente ao trimestre anterior, mas recuando 15,3% na comparação anual. Também houve queda no contingente de trabalhadores subocupados por insuficiência de horas, estimado em 4,2 milhões de pessoas. Os dados reforçam um cenário de desaceleração pontual do mercado de trabalho, influenciado por fatores sazonais, mas ainda sustentado por indicadores historicamente favoráveis de renda e ocupação.

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