O Centro de Convenções de João Pessoa integra a infraestrutura usada pela Paraíba para atrair congressos e feiras

O setor de eventos na Paraíba mantém sinais de expansão em 2026, apesar dos desafios de infraestrutura, logística e profissionalização. Os dados disponíveis não confirmam uma redução recente no número de eventos no Estado.

Pelo contrário, calendários ampliados, grandes feiras e a promoção dos centros de convenções indicam um mercado que tenta ganhar escala e atrair novos eventos nacionais. No Brasil, a Associação Brasileira dos Promotores de Eventos projeta crescimento de 7,8% no consumo ligado ao setor em 2026, alcançando cerca de R$ 151,9 bilhões. A estimativa também aponta geração de aproximadamente 143 mil empregos formais ao longo do ano.

Setor de eventos na Paraíba amplia calendário – Um dos exemplos mais claros está no Circuito Paraíba Agronegócios. A programação de 2026 prevê cerca de 70 exposições distribuídas pelas diferentes regiões do estado. A expectativa é superar 1,5 milhão de visitantes, diante dos 1,2 milhão registrados em 2025. A projeção de negócios também subiu de R$ 400 milhões para R$ 600 milhões.

A Expapi, realizada em Campina Grande, reforçou esse movimento. A edição de 2026 recebeu cerca de 250 mil pessoas e movimentou aproximadamente R$ 30 milhões em negócios. Portanto, o cenário atual aponta mais para expansão acompanhada de novos desafios do que para retração do setor.

João Pessoa e Campina disputam grandes eventos – A Paraíba também tenta avançar no mercado de congressos, convenções, feiras corporativas e viagens de incentivo. Em maio, o Governo do Estado levou os centros de convenções de João Pessoa e Campina Grande para a Feira EBS, em São Paulo, uma das principais vitrines brasileiras do segmento conhecido como MICE. A estratégia é aumentar a quantidade de eventos realizados fora das tradicionais temporadas de férias e festas populares.

Um exemplo ocorreu em março, quando João Pessoa recebeu pela primeira vez a Convenção Nacional de Vendas da CVC. O encontro reuniu mais de 2 mil profissionais do turismo no Centro de Convenções. Quanto mais eventos desse porte entram no calendário, maior tende a ser o impacto sobre hotéis, restaurantes, transporte, comércio, fornecedores e serviços especializados.

Logística vira desafio para crescer sem perder qualidade – O crescimento, porém, aumenta a pressão sobre toda a estrutura que existe ao redor de um evento. Transporte de equipamentos, montagem, hospedagem, alimentação, segurança, mobilidade urbana, conectividade e disponibilidade de mão de obra precisam acompanhar o aumento da demanda. Esse desafio aparece no mercado nacional. O próprio avanço projetado pelo setor vem acompanhado de maior necessidade de planejamento logístico e profissionalização das operações.

Na Paraíba, isso significa preparar não apenas João Pessoa e Campina Grande, mas também cidades do interior que passaram a receber feiras, festivais e exposições de maior porte. Além disso, tecnologia pode ajudar. Sistemas de credenciamento, venda digital, gestão de público, inteligência de dados e automação reduzem filas e melhoram a experiência dos participantes.

Eventos podem virar estratégia permanente de turismo – O principal potencial econômico está em usar os eventos para combater a sazonalidade do turismo. Uma convenção realizada em março, uma feira empresarial em maio ou um congresso em setembro ocupa hotéis e movimenta restaurantes em períodos nos quais o fluxo de lazer poderia ser menor.

Por isso, a PBTur e a Secretaria de Turismo e Desenvolvimento Econômico vêm apresentando a infraestrutura paraibana ao mercado nacional de eventos corporativos. A agenda também pode beneficiar pequenos negócios. Alimentação, transporte, audiovisual, decoração, tecnologia, segurança e locação de equipamentos formam uma cadeia que começa muito antes da abertura dos portões.

O desafio da Paraíba, portanto, não parece ser recuperar um setor em retração. Os números disponíveis apontam outra direção: crescer com planejamento, transformar grandes eventos em calendário permanente e garantir que infraestrutura e serviços consigam acompanhar a expansão.

Nordeste Online