
OMS recomenda que adultos façam pelo menos 150 minutos de exercício vigoroso ou 300 minutos moderados/semana
Estudo recente divulgado no British Journal of Sports Medicine indica que se exercitar por mais de 560 minutos por semana pode ampliar a proteção contra doenças cardiovasculares, superando a recomendação atual da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 150 minutos de atividade intensa ou 300 minutos moderados.
Recomendações internacionais e contexto da pesquisa – A OMS recomenda que adultos façam pelo menos 150 minutos de exercício físico vigoroso ou 300 minutos moderados por semana para manter a saúde. No entanto, a pesquisa analisou que quase o dobro desse tempo, entre 560 e 610 minutos semanais, está associado a uma redução de risco superior a 30% em problemas cardíacos como infartos e Acidente Vascular Cerebral (AVC).
Metodologia e dados analisados – O estudo utilizou dados do UK Biobank, envolvendo mais de 17 mil participantes entre 2013 e 2015. Os voluntários utilizaram dispositivos no pulso durante sete dias para medir seus níveis habituais de atividade física. O acompanhamento ocorreu durante sete a oito anos, considerando ainda fatores como tabagismo, consumo de álcool, autoavaliação de saúde, dieta, índice de massa corporal, frequência cardíaca em repouso e pressão arterial.
Diferentes níveis de condicionamento e desigualdade na prática – A pesquisa revelou que apenas 12% dos participantes alcançaram o nível elevado de atividade física necessário para a redução de risco cardiovascular mais significativa. Além disso, indivíduos com menor condicionamento físico precisaram praticar entre 30 e 50 minutos a mais semanalmente para obter benefícios equivalentes a pessoas mais ativas. Para uma redução de 20% no risco, por exemplo, foram necessários 370 minutos semanais para os menos condicionados e 340 minutos para os mais aptos.
Considerações e limitações do estudo – Aiden Doherty, professor da Universidade de Oxford, destaca que a meta de mais de 560 minutos semanal não deve ser vista como uma orientação de saúde pública, mas sim como uma meta maior para quem busca ampliação dos benefícios cardiovasculares. Ele reforça que a população deve continuar a buscar pelo menos 150 minutos de atividade moderada a vigorosa por semana.
Os autores lembram que se trata de um estudo observacional, não podendo estabelecer relação direta de causa e efeito. A capacidade cardiorrespiratória foi estimada e o tempo em atividades de baixa intensidade ou sedentárias não foi medido. O grupo sugere que futuras diretrizes considerem um volume mínimo para segurança básica e volumes maiores para redução ideal do risco cardiovascular. Atualmente, as recomendações de saúde pública estão em revisão e podem utilizar esses dados para definir metas mais ambiciosas.
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