
Taxa de 64% ao ano é a maior em quase uma década; consignado privado registra inadimplência histórica de 8,6%
O mês de junho trouxe um alerta preocupante para o bolso das famílias brasileiras. Segundo dados divulgados pelo Banco Central, o juro médio cobrado em operações de crédito para pessoas físicas atingiu 64% ao ano, o maior patamar em quase dez anos. O avanço reflete tanto o custo elevado do crédito quanto a dificuldade crescente das famílias em manter suas contas em dia.
A pressão não se limita aos juros. O consignado privado, modalidade de empréstimo que costuma ter taxas menores por contar com desconto direto em folha, registrou inadimplência recorde de 8,6%. Esse índice expõe a fragilidade financeira de trabalhadores do setor privado, que enfrentam renda comprometida e dificuldades para honrar compromissos.
O cenário é resultado de uma combinação de fatores: inflação persistente, renda estagnada e alto endividamento acumulado nos últimos anos. Para muitos, o crédito deixou de ser uma solução e passou a representar um peso insustentável. “O aumento da inadimplência mostra que as famílias estão no limite da capacidade de pagamento”, avalia um economista ouvido pelo mercado.
O impacto é direto na vida cotidiana: mais restrições para consumo, dificuldade de acesso a novos empréstimos e risco de exclusão financeira. Ao mesmo tempo, bancos e instituições de crédito reforçam políticas de concessão mais rígidas, o que pode agravar ainda mais o ciclo de endividamento.
O quadro atual reacende o debate sobre a necessidade de políticas públicas voltadas para educação financeira e renegociação de dívidas, além de medidas que estimulem a renda e o emprego. Sem isso, o risco é de que o recorde de inadimplência se torne uma nova normalidade.
Pauta Dupla
