
Mercado sente o peso dos juros e da incerteza para 2027, enquanto a força do turismo amplia a resiliência da Capital
Ultimamente cada vez mais empresas do setor imobiliário retardam o fechamento de negócios relacionados à compra de terrenos para desenvolver novos empreendimentos, assim como adiam o lançamento daqueles já projetados. O movimento tem três causas: juros ainda elevados, dúvidas sobre a economia em 2027 e a espera pelo resultado da eleição presidencial que se avizinha.
Em João Pessoa, esse cenário deve ser sentido com mais tranquilidade. A força do turismo local sustenta parte do mercado imobiliário ligado a hospedagem e temporada, mesmo com o residencial tradicional também desacelerando. O momento, porém, pede mais ações estratégicas das empresas, corretores e demais players para atravessar a fase sem sobressaltos.
Juros ainda pesam no bolso do incorporador – O Banco Central cortou a Selic para 13,75% ao ano nesta quinta-feira (17), quinto corte seguido de 0,25 ponto percentual pelo Copom. A taxa ficou dez meses, entre junho de 2025 e março deste ano, fixada em 15% ao ano, a maior em quase duas décadas. Mesmo em queda, o crédito segue caro para financiar terrenos e empreendimentos.
Dados do Banco Safra mostram que o estoque nacional de imóveis novos chegou a 9,6 meses de vendas em março, primeira alta em três anos, e que em São Paulo o alto padrão foi de 8,2 para 12,9 meses de estoque em um ano. Os distratos, quando o comprador desiste do contrato, já respondem por 20,9% das vendas no alto padrão.
Por sua vez, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) registrou queda de 1,3% nos lançamentos residenciais no segundo trimestre, para 107,2 mil unidades, e recuo de 23,6% no valor lançado, para R$ 62,4 bilhões. Para o economista da entidade, Celso Petrucci, os juros altos continuam pesando sobre a atividade do setor.
Eleição e reforma tributária travam decisão para 2027 – O setor deve fechar 2026 como um ano forte para o crédito imobiliário, mas 2027 já é tratado com cautela. A Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) cita o custo de capital elevado e a reforma tributária, que entra em vigor no próximo ano e impõe novo desafio de precificação.
A isso se soma o fator eleitoral. Para o economista Sergio Vale, a tensão política e a incerteza sobre o resultado da disputa presidencial, só conhecido no fim de outubro, explicam por que o mercado já projeta uma economia mais fraca em 2027. A equipe econômica do próximo governo deve definir se haverá espaço para novos cortes de juros.
Turismo dá a João Pessoa um colchão que outras praças não têm – João Pessoa também sente a desaceleração do residencial tradicional, mas tem um diferencial raro: turismo em expansão constante. A capital paraibana fechou janeiro com ocupação hoteleira média de 90% e movimentou R$ 623,7 milhões na economia local no mês, de acordo com a Secretaria de Turismo do Município. Em março, as buscas por João Pessoa cresceram 65%, o que tornou a cidade o quarto destino brasileiro mais procurado no mundo.
Para Antônio Carlos Catão, vice-presidente de Assuntos Imobiliários do Sindicato da Indústria da Construção Civil de João Pessoa (Sinduscon-JP), a estrutura turística sustenta empreendimentos residenciais e imóveis de temporada mesmo em momentos de cautela nacional. Esse colchão não substitui a profissionalização. Diante de juros altos, reforma tributária e eleição pela frente, o mercado imobiliário paraibano tende a premiar quem atuar com mais critério na escolha de terrenos, no ritmo de lançamentos e na comunicação com o comprador.
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