
A contratação temporária pode cumprir uma função que vai além do atendimento a uma demanda pontual. Foto: Arquivo
O mercado de trabalho brasileiro chega ao segundo semestre de 2026 com indicadores que apontam para um cenário aquecido. No segundo trimestre, a taxa de desocupação ficou em 5,4%, enquanto a subutilização recuou para 12,9%. A população ocupada chegou a 103,1 milhões de pessoas e o número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado atingiu 39,4 milhões. O rendimento médio real habitual foi de R$3.738, segundo a PNAD Contínua do IBGE.
Ao mesmo tempo, empresas começam a reforçar o planejamento para uma sequência de datas que tradicionalmente eleva a demanda por mão de obra, como Dia das Crianças, Black Friday e Natal. A Associação Brasileira do Trabalho Temporário (Asserttem) projeta cerca de 620 mil contratos temporários entre julho e setembro de 2026.
Nesse cenário, a contratação temporária pode cumprir uma função que vai além do atendimento a uma demanda pontual: permitir que as empresas ampliem as equipes e, durante o contrato, avaliem profissionais que podem futuramente integrar o quadro permanente. Para Renato Mendes, CEO da Mendes Talent, o modelo pode representar uma oportunidade tanto para empresas quanto para trabalhadores. “O trabalho temporário pode abrir portas para novas oportunidades, inclusive uma contratação efetiva”, afirma Renato Mendes.
Temporário como porta de entrada – A possibilidade de efetivação também aparece nos dados recentes do setor. A Asserttem aponta, como referência histórica, uma taxa média de efetivação de cerca de 20% dos trabalhadores temporários. Já a CNC projetou, para o Dia dos Pais de 2026, 12.070 vagas temporárias no varejo e uma taxa de efetivação de 14,8%. O percentual é uma estimativa específica para as vagas relacionadas à data e não representa uma taxa nacional de efetivação.
Na prática, o contrato temporário permite que a empresa acompanhe o desempenho do profissional em uma situação real de trabalho, avaliando aspectos como produtividade, adaptação à rotina e relacionamento com a equipe. Para o trabalhador, o período pode ser uma oportunidade de demonstrar suas competências e disputar uma vaga permanente. Com a aproximação das principais datas do calendário de consumo, a antecipação do recrutamento ganha importância.
Comércio, logística, indústria e serviços precisam dimensionar as equipes antes dos períodos de maior movimento, em um mercado no qual a disponibilidade de trabalhadores está mais restrita. A estratégia, portanto, deixa de ser apenas contratar para cobrir um pico de demanda. Para empresas que planejam o processo com antecedência, o trabalho temporário também pode funcionar como uma etapa de recrutamento, aproximando profissionais e organizações e criando oportunidades de efetivação após o período sazonal.
Agência Brasil
