As micro e pequenas empresas lideraram a geração de empregos formais no Brasil no primeiro semestre de 2026

As micro e pequenas empresas criaram 543,5 mil empregos formais no Brasil entre janeiro e junho de 2026 e responderam por quase 59% das 921,6 mil vagas abertas no período. Os dados fazem parte de um levantamento do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados.

A participação mostra que quase seis em cada dez novos empregos com carteira assinada foram gerados por pequenos negócios. O resultado possui peso especial para estados como a Paraíba, onde serviços, comércio e construção também aparecem entre os principais responsáveis pela abertura de postos formais de trabalho.

Pequenos negócios mantêm liderança em junho – Somente em junho, as micro e pequenas empresas registraram saldo de 84,8 mil novos empregos, equivalentes a 58% das vagas formais abertas no mês. O desempenho superou em mais de 80% o saldo das médias e grandes empresas, que criaram 46,3 mil postos no mesmo período.

O resultado confirma que a expansão do emprego formal continua apoiada em milhares de negócios distribuídos entre cidades grandes, médias e pequenas. No conjunto do mercado de trabalho, o Brasil abriu 145.161 vagas formais em junho. O estoque nacional ultrapassou 48 milhões de vínculos, enquanto o saldo acumulado nos 12 meses encerrados em junho chegou a 963.921 empregos.

Serviços concentram maior número de vagas – O setor de serviços liderou a geração de empregos entre as micro e pequenas empresas, com aproximadamente 42 mil vagas em junho. Comércio e construção abriram cerca de 16 mil postos cada. A distribuição mostra que a contratação não ficou concentrada em uma única atividade. Restaurantes, hotéis, escritórios, empresas de tecnologia, serviços pessoais, lojas e pequenos empreendimentos da construção participaram do movimento.

Os dados gerais do Novo Caged seguem a mesma direção. Considerando empresas de todos os portes, os serviços criaram 74.514 vagas em junho, seguidos pela agropecuária, com 22.898, comércio, com 19.177, indústria, com 14.438, e construção, com 14.136 postos. No acumulado do primeiro semestre, os serviços abriram 571.926 vagas formais no país. A construção gerou 168.962 postos, enquanto a indústria somou 143.442 e a agropecuária criou 40.853 empregos. O comércio foi o único grande setor com saldo negativo no semestre, ao perder 3.514 vagas.

Paraíba também encontra força nos serviços – Na Paraíba, a leitura estadual referente a maio mostra uma estrutura semelhante. O estado criou 2.012 empregos com carteira assinada naquele mês, resultado de 21.807 admissões e 19.795 desligamentos. Foi o terceiro mês consecutivo com saldo positivo. Os serviços responderam por 1.276 vagas, mais de 63% do saldo estadual de maio. O comércio abriu 485 postos, a agropecuária gerou 135, a construção criou 112 e a indústria encerrou o mês com quatro vagas líquidas.

Entre janeiro e maio, a Paraíba acumulou 4.094 empregos formais, após registrar 112.703 admissões e 108.609 desligamentos. Os números não apresentam uma separação estadual por tamanho das empresas, mas indicam que os setores que lideram as contratações nacionais entre os pequenos negócios também possuem participação relevante no mercado paraibano. Esse cenário amplia a importância de empreendimentos locais ligados a alimentação, hospedagem, comércio varejista, construção, serviços profissionais, turismo, manutenção e atendimento ao consumidor.

Emprego cresce fora das grandes estruturas empresariais – A liderança das micro e pequenas empresas ajuda a explicar como a geração de emprego se espalha por diferentes municípios. Enquanto grandes empreendimentos podem concentrar centenas de contratações em uma única unidade, os pequenos negócios criam vagas de forma pulverizada. Uma padaria que contrata dois trabalhadores, um restaurante que amplia a equipe, uma loja que abre uma nova unidade ou uma pequena construtora que inicia uma obra produzem impactos menores de forma isolada.

Quando somados em escala nacional, porém, esses movimentos sustentam a maior parte das novas vagas. Para o presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, a constância dos resultados confirma que os pequenos negócios se tornaram parte relevante das estratégias de desenvolvimento. A instituição aponta crédito acompanhado, capacitação e ferramentas de gestão como meios de aumentar a sobrevivência dessas empresas.

Queda do desemprego acompanha abertura de vagas – A geração de empregos ocorreu ao mesmo tempo em que a taxa de desocupação brasileira caiu para 5,4% no trimestre encerrado em junho de 2026. O índice recuou 0,7 ponto percentual diante do trimestre encerrado em março, quando estava em 6,1%. Na comparação com o mesmo período de 2025, houve redução de 0,4 ponto percentual.

O salário médio real de admissão chegou a R$ 2.404,34 em junho, crescimento de 0,7% diante de maio e de 1,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior, já considerados os ajustes do período. As vagas abertas em junho foram distribuídas de forma praticamente equilibrada entre homens e mulheres. O saldo foi de 72.569 postos para trabalhadores homens e de 72.592 para mulheres. Jovens de até 24 anos ocuparam 86,4% das novas vagas geradas no mês.

Crescimento aumenta desafios de gestão – A criação de empregos representa uma etapa importante para as micro e pequenas empresas, mas também amplia responsabilidades relacionadas a fluxo de caixa, folha de pagamento, tributos, treinamento e cumprimento das normas trabalhistas. Uma contratação realizada sem planejamento pode pressionar as contas de negócios com margens reduzidas. Por outro lado, empresas que organizam custos, produtividade e demanda possuem melhores condições para manter o trabalhador e continuar crescendo.

O peso dos serviços, do comércio e da construção nas contratações também mostra onde devem se concentrar iniciativas de qualificação profissional. Atendimento, vendas, tecnologia, gestão financeira, manutenção, logística e atividades da construção tendem a acompanhar a expansão desses segmentos. Na Paraíba, o fortalecimento dos pequenos negócios pode ampliar a geração de renda em João Pessoa e Campina Grande, mas também em municípios do interior, onde microempresas muitas vezes representam uma das principais portas de entrada para o emprego formal.

Segundo semestre – A continuidade das contratações dependerá do comportamento das vendas, do custo do crédito, dos investimentos e da capacidade das empresas de manter suas operações. Os resultados do primeiro semestre mostram que os pequenos negócios não exercem apenas função complementar na economia. Eles assumiram a liderança direta na abertura de vagas e passaram a sustentar parcela relevante da expansão do mercado formal.

Para a Paraíba, o desafio será transformar esse movimento em empresas mais produtivas e duradouras. Quanto maior a sobrevivência dos pequenos negócios, maiores serão as possibilidades de preservar empregos e abrir novas oportunidades em diferentes regiões do estado.

Paraíba Business