O Nordeste assumiu o protagonismo do mercado de trabalho em maio de 2026. Foto: Reprodução / Internet

Enquanto o Brasil amarga uma estagnação na criação de vagas formais, uma região se destaca no mapa do emprego com números impressionantes. O Nordeste assumiu o protagonismo do mercado de trabalho em maio de 2026, puxando o saldo nacional para o azul e mostrando uma resiliência na geração de empregos. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a região não apenas gerou o maior volume proporcional de empregos, como também salvou o desempenho do setor de Comércio em todo o País.

Comércio do Nordeste é o “Salvador da Pátria” – Antes de mais nada, o dado mais impressionante do levantamento diz respeito ao setor de Comércio. Enquanto o Brasil inteiro praticamente empatou, com um saldo líquido de apenas 40 vagas em maio, o Nordeste abriu sozinho 2.224 novos postos formais. A princípio, esse feito foi possível porque o desempenho da região compensou as perdas significativas registradas no Sul (com menos 2.200 vagas) e no Centro-Oeste (com menos 1.279). Em outras palavras, sem o puxão do comércio nordestino, o saldo nacional desse setor seria profundamente negativo. Entre os estados, Maranhão liderou com 783 novas vagas no comércio, seguido pela Paraíba (485) e Ceará (444).

Serviços e Construção sustentam o crescimento – Apesar do brilho do comércio, o verdadeiro motor do emprego no Nordeste continua sendo o setor de Serviços, que foi responsável pela criação de 12.146 vagas em maio – mais da metade do total de 23.351 empregos gerados na região.

Ao mesmo tempo, a Construção Civil também teve um mês excelente, adicionando 5.583 novos postos, seguida pela Indústria (2.677) e Agropecuária (724). Isso mostra que a economia nordestina está aquecida em várias frentes, desde o setor de tecnologia e finanças (que puxou a alta nos Serviços) até as obras e a indústria local.

Bahia puxa o ranking, Alagoas sofre com sazonalidade – Em suma, no acumulado de 2026 (janeiro a maio), a região já contabiliza 94.684 vagas com carteira assinada, consolidando-se como o segundo maior saldo do país, atrás apenas do Sudeste. Assim, a liderança regional é incontestável: a Bahia responde por quase metade de todos os empregos criados no Nordeste no período, com impressionantes 45.294 novas vagas. Em seguida, aparecem Ceará (19.033) e Pernambuco (14.724).

Na outra ponta, a realidade é dura para Alagoas, que permanece como o único estado nordestino com saldo negativo no acumulado do ano, perdendo 11.240 postos formais. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, atribuiu esse desempenho à sazonalidade das atividades agropecuárias, que impactam diretamente a economia alagoana.

Comparativo nacional e o contexto geral – Em todo o País, maio terminou com um saldo de 72.960 empregos formais, elevando o estoque total para mais de 47,8 milhões de vínculos. Apesar do resultado nacional positivo, o Nordeste foi a região que mais se destacou proporcionalmente: o crescimento de 4,04% sobre o estoque de trabalhadores nos últimos 12 meses (junho/25 a maio/26) é o maior do País.

Vale ressaltar, porém, a diferença salarial: enquanto o salário médio de admissão no Brasil é de R$ 2.384,10, no Nordeste é de R$ 2.065,69, o menor entre as cinco regiões. Desse modo, isso indica que, embora haja volume de contratações, o desafio agora é a qualidade e a remuneração desses novos postos de trabalho.

Agência NE9