Ferrovias, rodovias e saneamento estão entre as obras estratégicas mapeadas para o Nordeste até 2030. Foto: Arquivo

Quem depende de estrada esburacada, esgoto sem tratamento ou porto congestionado sabe: obra parada custa caro pro dia a dia de quem mora no Nordeste. O Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada (Sinicon), que reúne as construtoras de infraestrutura pesada do país, mapeou um pacote de obras estratégicas para a região até 2030, capaz de destravar corredores de transporte e saneamento que travam a economia regional há anos.

As obras que aparecem no radar até 2030

Na lista entram nomes que já são velhos conhecidos de quem cobra investimento na região. A Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), na Bahia, depende da conclusão dos trechos II e III para formar um corredor de escoamento de grãos e minério, mas ainda esbarra em garantia de recursos e licenciamento. Já a hidrovia do Rio São Francisco, com 1.371 quilômetros navegáveis entre Pirapora (MG) e Juazeiro (BA)/Petrolina (PE), precisa amadurecer a modelagem antes mesmo de ir a leilão.

No asfalto, a Rota 2 de Julho promete ampliar 663 quilômetros de BR-116 e BR-324 na Bahia, ligando Salvador, Feira de Santana e Vitória da Conquista, enquanto o Arco Metropolitano de Fortaleza deve conectar a malha rodoviária ao Complexo Industrial e Portuário do Pecém. Em saneamento, a PPP da Caern no Rio Grande do Norte pretende levar rede de esgoto a 48 municípios, atendendo cerca de 2 milhões de pessoas. Segundo o diretor-executivo do Sinicon, Humberto Rangel, “recurso sozinho não resolve: é preciso projeto pronto, segurança jurídica, regulação estável e capacidade de execução.”

O investimento em infraestrutura na Região Nordeste hoje gira em torno de 2,2% do PIB regional, e a meta do setor é ultrapassar 4%, num ritmo de alta gradual de cerca de 0,2 ponto percentual por ano. Portanto, o desafio dos próximos anos não é só arrumar dinheiro: é tirar projeto do papel, destravar licenciamento e garantir execução — passos que, historicamente, sempre foram o gargalo real das grandes obras nordestinas.

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