Aprovações do BNDES cresceram 342,7% no primeiro trimestre, enquanto Estado mantém projetos em andamento

O cenário de juros elevados deve levar empresas brasileiras a reduzir investimentos em 2027, mas a Paraíba chega a esse período com expansão no crédito e uma carteira relevante de projetos apoiados por instituições públicas. A avaliação nacional foi apresentada por Renato Donatti, diretor sênior de Corporate, Infraestrutura e Project Finance da Fitch Ratings, durante o Fitch on Brazil 2026, realizado nesta terça-feira (1º), em São Paulo.

Segundo o executivo, o custo financeiro elevado deve fazer as empresas priorizarem a preservação de caixa. “Arrisco dizer que 2027 vai marcar o menor nível de investimento das empresas brasileiras, pelo menos das que a gente cobre, em relação à depreciação”, afirmou Donatti durante o evento. A avaliação foi registrada em cobertura do seminário.

Crédito cresce no Estado – Na Paraíba, entretanto, os dados mais recentes mostram um movimento expressivo na concessão de crédito. Segundo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), foram aprovados R$ 179,5 milhões para o Estado no primeiro trimestre de 2026, alta de 342,7% em relação aos R$ 40,6 milhões registrados no mesmo período de 2025.

As micro, pequenas e médias empresas concentraram R$ 150,8 milhões das aprovações, avanço de 434,2% em um ano. Os recursos contemplaram infraestrutura, comércio e serviços, agropecuária e indústria. No mesmo período, os desembolsos do banco para a Paraíba chegaram a R$ 253,5 milhões, crescimento de 107,2%. Desde 2023, o BNDES já aprovou R$ 2,73 bilhões e desembolsou R$ 2,32 bilhões para projetos no Estado.

Investimentos estruturantes – A movimentação também aparece nos programas estaduais de atração de empresas. Dados da Companhia de Desenvolvimento da Paraíba (Cinep) mostram que 112 empresas de 31 municípios foram beneficiadas pelo Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Industrial da Paraíba (Fain) em 2025. Os projetos asseguraram mais de R$ 2,4 bilhões em investimentos e 2.394 empregos diretos, além de uma previsão de R$ 7,5 bilhões em faturamento total.

Entre 2019 e 2025, foram 556 projetos avaliados em 68 municípios, com R$ 10,67 bilhões em investimentos previstos e 12.692 empregos. O movimento indica que o Estado não está isolado dos efeitos dos juros altos, mas entra no próximo ciclo com uma base de projetos e operações de crédito já estruturada. A questão, para 2027, será saber quanto desse pipeline conseguirá avançar diante do custo de capital e de uma eventual postura mais seletiva das empresas.

O ponto de atenção – A própria Fitch não projeta uma crise generalizada de liquidez. Na avaliação apresentada por Donatti, os fundamentos operacionais das empresas permanecem preservados, mas o ambiente de juros elevados tende a reduzir o espaço para novos investimentos.

É justamente nesse ponto que os dados paraibanos ganham relevância. O crescimento das aprovações do BNDES e os projetos enquadrados no Fain mostram capacidade de atração e financiamento, mas não significam que todo o volume anunciado será necessariamente executado no mesmo ritmo.

Para a economia paraibana, portanto, 2027 pode representar menos uma ruptura e mais um teste de capacidade de execução: transformar crédito aprovado, projetos estruturados e investimentos anunciados em obras, expansão produtiva, empregos e geração efetiva de receita.

Paraíba Business