
O desempenho paraibano coloca o Estado no restrito pelotão de elite das economias mais dinâmicas do Brasil
A Paraíba desenha em 2026 um cenário de resiliência que desafia a gravidade dos juros altos no Brasil. Enquanto Brasília lida com a volatilidade das metas fiscais, o estado nordestino ancora sua estabilidade com responsabilidade nas contas públicas e um setor de serviços que representa cerca de 80% do PIB estadual. Com uma projeção de crescimento de 3,5% para este ano, segundo resenha recente do Banco do Brasil, o desempenho paraibano supera com folga a média nacional de 2,0%, colocando o estado no restrito pelotão de elite das economias mais dinâmicas do País.
Esse fôlego financeiro não é um fenômeno de safra isolada, mas o resultado de uma trajetória estrutural que vem se desenhando desde a década passada. Segundo a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio-PB), a massa salarial local se mantém aquecida, alimentada por um mercado de trabalho formal que atingiu patamar de 545.915 empregos em dezembro de 2025.
O vigor econômico é sustentado por uma dominância esmagadora do setor terciário, que hoje representa a maior fatia do Valor Adicionado Bruto estadual. O avanço no PIB per capita, que saltou para R$ 24.395 com alta nominal superior a 12%, sinaliza que a geração de riqueza está finalmente encontrando o bolso do cidadão. Para os investidores, a Paraíba deixou de ser apenas uma promessa regional para se tornar um porto seguro de previsibilidade institucional e retorno de capital.
A arquitetura dessa estabilidade passa pela gestão pública. De acordo com Gilmar Martins, secretário de Planejamento, Orçamento e Gestão da Paraíba, o estado alcançou em 2023 um PIB de R$ 96,96 bilhões, com crescimento real de 3,0%. Ele destaca que a economia é puxada principalmente pelo setor de serviços, que responde por 80,7% do valor adicionado.
“A ampliação de obras estruturantes de infraestrutura e a atração de novos empreendimentos, especialmente em energias renováveis, construção civil e logística, criam um ambiente favorável à expansão produtiva”, afirma o secretário. Segundo dados recentes da Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE, a Paraíba encerrou 2025 com a 2ª maior taxa de crescimento do País. De acordo com o levantamento, o estado apresentou alta de 5,7% no setor, o dobro do crescimento do país (2,8%).
O motor da hospitalidade da Paraíba – O recente salto no volume de visitantes em João Pessoa e no litoral mudou a cara do setor de serviços. O turismo deixou de ser uma atividade sazonal para se tornar uma engrenagem permanente de ocupação hoteleira e demanda por infraestrutura urbana. José Marconi Medeiros, presidente da Fecomércio-PB, observa que esse movimento atua como um multiplicador. “O setor turístico gera maior demanda em vários setores, a exemplo de hotéis, restaurantes, transporte, empresas de turismo e comércio. Não vejo esse movimento apenas como um ciclo de curto prazo, mas como um motor essencial das projeções otimistas”, explica o dirigente.
A infraestrutura dedicada a esse segmento recebeu aportes pesados, como o Polo Turístico Cabo Branco e novos centros de convenções em João Pessoa e Campina Grande. Esses ativos elevam o teto de gastos do visitante e garantem que o fluxo de capital permaneça circulando dentro do estado por mais tempo. “A Pesquisa Anual do Desempenho do Turismo na Região Metropolitana de João Pessoa, realizada pelo Instituto de Planejamento, Estatística e Desenvolvimento da Paraíba (INDEP), aponta que mais de 98% dos visitantes manifestam o desejo de retornar à região. Assim, o setor turístico gera maior demanda em vários setores”, explica José Marconi.
Segurança jurídica e o apetite privado – O empresariado local parece ter encontrado o ambiente de baixa turbulência que tanto buscava. O otimismo para 2026 está calcado em parcerias que garantem incentivos concretos e uma clareza nas regras do jogo. Marconi Medeiros ressalta que o equilíbrio nas contas públicas gera um ambiente de segurança tanto para a população quanto para quem decide empreender. “O otimismo dos empresários do setor terciário se apoia em um ambiente de negócios estável e com incentivos concretos. Esse quadro consolida segurança jurídica e condições mais favoráveis para empreender e gerar empregos no setor”, argumenta o presidente da Fecomércio.
Ele explica que a integração entre o setor público e o privado tem sido o diferencial para manter o estado como um canteiro de obras e novos negócios. “O setor de comércio, serviços e turismo é atualmente responsável por cerca de 70% das vagas formais criadas no estado, conforme dados do Novo Caged”, ressalta José Marconi.
Energia e futuro sustentável – As energias renováveis surgiram como uma nova fronteira de investimentos, aproveitando o potencial natural do estado para o desenvolvimento de parques eólicos e solares. Gilmar Martins aponta que a indústria, com 14,5% de participação, é impulsionada justamente por essas fontes limpas e pela construção civil. “A diversificação produtiva, os investimentos em energia, o dinamismo imobiliário e a modernização do campo explicam as projeções positivas e o fortalecimento da economia paraibana nos últimos anos”, detalha o secretário.
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