Agência Nacional de Saúde Suplementar define alta de 5,11% para planos individuais e familiares. Foto: Arquivo

A decisão da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) de aprovar um reajuste de até 5,11% para planos individuais e familiares em 2026 parece, à primeira vista, um alívio. Afinal, é o menor índice da série histórica — se excluída a taxa negativa de 2021. Mas o dado precisa ser analisado com cuidado: menor não significa leve, e para milhões de brasileiros o impacto continua sendo significativo.

O reajuste reflete uma tentativa da agência de equilibrar custos crescentes do setor com a capacidade de pagamento dos usuários. A inflação médica, marcada por procedimentos caros e novas tecnologias, pressiona os planos. Ao mesmo tempo, a renda das famílias não acompanha esse ritmo. O resultado é um índice que, embora abaixo das expectativas, ainda pesa no orçamento doméstico.

A decisão da ANS mostra que há sensibilidade em relação ao cenário econômico. Mas também evidencia a fragilidade do modelo de saúde suplementar no Brasil: cada reajuste, por menor que seja, reacende o debate sobre acesso, exclusão e a dependência de milhões de pessoas em relação a um sistema que deveria complementar o SUS, mas que se tornou essencial para quem pode pagar.

O dilema é claro: comemorar o menor reajuste da história ou lamentar que, mesmo assim, o custo da saúde privada continua subindo? A resposta depende da perspectiva. Para o setor, o índice é sinal de equilíbrio. Para o consumidor, é mais uma conta difícil de fechar no fim do mês.

Pauta Dupla