1. Considerações iniciais

O Aeroporto Internacional de João Pessoa Presidente Castro Pinto foi inaugurado em 20 de agosto de 1957. Localizado no município de Bayeux, na Região Metropolitana de João Pessoa, o terminal aeroportuário atende, na prática, a capital da Paraíba e sua área de influência, que ultrapassa 1 milhão de habitantes, da Região Metropolitana de João Pessoa.

Embora ostente oficialmente o título de “internacional”, o aeroporto opera, atualmente, apenas um único voo internacional regular, realizado aos sábados, na rota Buenos Aires (Ezeiza) – João Pessoa (Brasil) – Buenos Aires (Argentina). Tal realidade evidencia um descompasso relevante entre a nomenclatura institucional do terminal e sua efetiva inserção na malha aérea internacional.

Do ponto de vista técnico e regulatório, o Aeroporto Internacional de João Pessoa dispõe de alfândega da Receita Federal, controle migratório da Polícia Federal, vigilância sanitária da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e demais requisitos exigidos pela legislação brasileira para operações internacionais. Ainda assim, permanece majoritariamente restrito às operações domésticas. Essa contradição vai além de uma curiosidade burocrática, revelando fragilidades estruturais associadas a decisões políticas tímidas, planejamento turístico fragmentado e, sobretudo, à ausência de uma estratégia consistente de internacionalização do turismo paraibano.

Desde fevereiro de 2020, o aeroporto é administrado pela AENA Brasil, concessionária espanhola responsável por 17 aeroportos no país e integrante do maior grupo aeroportuário do mundo, que opera 78 aeroportos em cinco países. Mesmo sob gestão privada e com aparato regulatório completo, o Aeroporto Internacional de João Pessoa segue, em 2025, sem uma malha internacional minimamente estruturada, o que evidencia a inexistência de uma política pública estadual efetiva voltada à conectividade aérea internacional.

A AENA, apesar de sua expertise global, não conseguiu viabilizar novas rotas internacionais regulares para João Pessoa. A GOL Linhas Aéreas, por sua vez, manteve operações internacionais diretas e sazonais entre João Pessoa e Buenos Aires, tradicionalmente aos sábados. O último voo internacional da companhia aérea brasileira ocorreu em 20 de dezembro de 2025. O próximo voo será amanhã, 27 de dezembro.

2. O paradoxo da conectividade internacional

Apesar de plenamente habilitado para receber voos internacionais, o Aeroporto Internacional de João Pessoa carece de regularidade, frequência e diversidade de destinos internacionais, como exemplos, Montreal (Canadá), Porto (Portugal), Montevidéu (Uruguai), Lima (Peru) e Praia (Cabo Verde), o que revela uma falha evidente de articulação estratégica entre os entes públicos e o setor privado.

O argumento mais recorrente para justificar essa lacuna é a suposta “falta de demanda internacional”. Trata-se, contudo, de uma explicação parcial e conveniente. João Pessoa apresenta crescimento consistente do turismo nacional, elevada taxa de satisfação entre turistas brasileiros e estrangeiros, muitos dos quais chegam pelos aeroportos de Recife e Natal, e localização geográfica estratégica, relativamente próxima de importantes mercados emissores internacionais, especialmente da Europa.

Atualmente, a única operação internacional regular ocorre na rota Buenos Aires (Ezeiza) – João Pessoa, com saída da capital argentina às 19h00 e chegada à capital paraibana às 00h35 do sábado. O voo de retorno parte de João Pessoa às 03h05, com chegada a Ezeiza às 08h45 do domingo. A Argentina, ressalte-se, configura-se como o principal país emissor de turistas internacionais para o Brasil.

É importante destacar que, recentemente, o Brasil alcançou o recorde histórico de 9 milhões de turistas internacionais em 2025. Contudo, a participação da capital paraibana nesse fluxo, ao longo desses doze meses, foi bastante reduzida. Ainda assim, o potencial turístico de João Pessoa é expressivo e permanece amplamente subaproveitado em voos internacionais.

O problema central, portanto, não é a inexistência de demanda, mas a ausência de um ambiente institucional competitivo capaz de atrair e sustentar investimentos em conectividade aérea internacional. A falta de políticas públicas proativas e de incentivos claros às companhias aéreas resulta na drenagem dessa demanda para aeroportos vizinhos, como Recife (a 120 km) e Natal (a 180 km), que oferecem maior previsibilidade operacional, maior frequência de voos internacionais e apoio governamental estruturado e aliado ao setor turístico privado.

3. A necessidade de políticas ativas e estratégicas para novos voos internacionais

Diferentemente de estados como Pernambuco e Rio Grande do Norte, que consolidaram seus aeroportos como polos internacionais por meio de políticas agressivas de incentivo, coordenação institucional e visão estratégica de longo prazo, a Paraíba adota uma postura predominantemente passiva. É uma espécie de comodismo, pela quantidade de dias sem voos internacionais desde sua inauguração em 1957 até sua reforma de ampliação em 2024.

O Governo do Estado da Paraíba, em geral, aguarda que as companhias aéreas nacionais e internacionais demonstrem interesse espontâneo, sem estruturar um conjunto robusto de incentivos que reduza riscos operacionais e estimule a abertura de novas rotas internacionais. Experiências bem-sucedidas no Nordeste demonstram que voos internacionais não surgem por acaso, mas resultam de ações objetivas, tais como: i) redução do ICMS sobre o combustível de aviação; ii) apoio financeiro e institucional em campanhas de marketing em conjunto; iii) mecanismos de compartilhamento de risco (risk sharing); e iv) atuação coordenada entre governos, concessionárias aeroportuárias e trade turístico privado.

A concorrência regional é intensa e a centralização da conectividade aérea internacional em poucas capitais nordestinas reforça um modelo desigual, mantendo João Pessoa à margem do circuito internacional. Superar esse cenário exige uma estratégia integrada entre o Governo do Estado da Paraíba, a Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP), a AENA Brasil e os órgãos federais, estaduais e municipais de turismo, além dos representantes do trade turístico privado, como a Associação Brasileira de Agências de Viagens da Paraíba (ABAV-PB), a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis da Paraíba (ABIH-PB), a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes da Paraíba (ABRASEL-PB) e o Sindicato dos Guias de Turismo da Paraíba (SINGITUR-PB).

4. A infraestrutura do Aeroporto Internacional de João Pessoa

O Aeroporto Internacional de João Pessoa dispõe de uma pista de pouso e decolagem com 2.525 metros de extensão, plenamente compatível com operações de aeronaves de médio porte utilizadas em voos internacionais regionais e transcontinentais.

O terminal de passageiros possui capacidade anual aproximada de 2,3 milhões de passageiros, é climatizado, conta com cinco portões de embarque, dois fingers, painéis eletrônicos de partidas e chegadas, além de sala VIP Advantage, acesso gratuito à internet wi-fi por tempo determinado de 4 horas e balcão de informações turísticas operado pela Empresa Paraibana de Turismo S.A. (PBTur).

O aeroporto dispõe de balcões de check-in das companhias aéreas nacionais GOL, Azul e LATAM, além de áreas destinadas à imigração e à alfândega para operações internacionais. Há locadoras de veículos (Modiva, Localiza), de transporte turístico (Luck Receptivo), lanchonetes, lojas comerciais, sanitários masculino e feminino distribuídos entre o térreo e o pavimento superior, estacionamento com capacidade para aproximadamente 600 veículos e área específica e organizada para embarque e desembarque de passageiros de aplicativos de transporte, como Uber e 99. Além de estacionamento exclusivo para ônibus de turismo e outro para autoridades.

Do ponto de vista operacional, o aeroporto possui condições técnicas para atender companhias aéreas internacionais como TAP, Iberia, JetSMART e Air Canada, embora nenhuma delas opere atualmente voos regulares a partir de João Pessoa.

Chama atenção a quantidade enorme de motoristas de aplicativos esperando no primeiro contorno bem antes da chegada dos totens da AENA “Bem-Vindos” ao Aeroporto de João Pessoa. Revelando o crescimento do fluxo de passageiros nacionais, que recentemente, alcançou 1,6 milhão de passageiros, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). É preciso destacar que o Aeroporto de João Pessoa teve o maior crescimento parcial de fluxo de passageiros nacionais do Nordeste, com o acumulado do ano de 11,4% entre janeiro e dezembro de 2025.

5. O futuro da conectividade internacional

João Pessoa reúne atributos relevantes para o turismo internacional, como belas praias, gastronomia diversificada, clima tropical, segurança e patrimônio histórico. No entanto, o turismo internacional não se consolida apenas com atrativos naturais e culturais, mas, sobretudo, com conectividade aérea, frequência, previsibilidade e facilidade de acesso.

Enquanto o turista estrangeiro precisar desembarcar em outro estado e percorrer longas distâncias por via terrestre, João Pessoa continuará sendo um destino secundário no mercado internacional. Ainda assim, existem oportunidades concretas. Por exemplo, a JetSMART Airlines, companhia aérea de ultrabaixo custo com forte atuação na América do Sul, poderá despontar como potencial operadora de uma nova rota entre Buenos Aires e João Pessoa. Com frota moderna de aeronaves Airbus A320, reconhecidas pela eficiência operacional e pela identidade visual com animais da fauna sul-americana nas caudas, a companhia poderia ampliar significativamente o fluxo de turistas internacionais para a Paraíba no ano de 2026.

6. Considerações finais

Hoje, João Pessoa está repleta de turistas nacionais e possui condições de se consolidar como destino turístico internacional, mas depende da superação da baixa conectividade aérea internacional. É hora de aumentar o número de voos internacionais no Aeroporto Internacional de João Pessoa Presidente Castro Pinto.

Para que o Aeroporto Internacional de João Pessoa Presidente Castro Pinto deixe de ser “internacional” apenas no nome, é indispensável um esforço coletivo envolvendo o Governo do Estado da Paraiba, a PMJP, a AENA Brasil, as companhias aéreas nacionais e internacionais e o setor privado do turismo, para conquistar mais voos internacionais.

Concluindo, a internacionalização do aeroporto de João Pessoa exige estratégia de longo prazo, coragem política para assumir riscos compartilhados, coordenação institucional e a compreensão de que a conectividade aérea internacional é um vetor essencial de crescimento econômico. Sem ação coordenada, o aeroporto continuará sendo internacional apenas no papel e doméstico na prática, um paradoxo incompatível com o potencial turístico da capital paraibana, a cidade onde o sol nasce primeiro nas Américas e uma das capitais brasileiras com o melhor ar puro para se respirar.

Com certeza, turistas nacionais e internacionais encantam-se com as belezas naturais, a rica História, a saborosa gastronomia e a diversidade cultural da belíssima cidade de João Pessoa. No entanto, o baixíssimo número de voos internacionais configura-se como um dos principais gargalos do turismo, dificultando o acesso a terceira capital mais antiga do Brasil, com 440 anos, é preciso mudar, urgente, conquistar novas aberturas de mercado internacional para diminuir os preços das passagens aéreas internacionais para João Pessoa.

Paulo Galvão Júnior